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Estado de Minas

Pesquisadores descobrem oito espécies de aracnídeos na Amazônia

O mesmo trabalho de análise também está sendo feito com outros espécimes localizados em diferentes áreas do Brasil


postado em 18/02/2016 11:18

(foto: Giupponi et al./Divulgação - 16/2/16)
(foto: Giupponi et al./Divulgação - 16/2/16)

Pesquisadores brasileiros identificaram na Amazônia oito novas espécies de um aracnídeo conhecido como aranha-chicote. A descoberta dobra o número de espécies conhecidas desse tipo de animal no Brasil e indica a provável existência de muitas outras ainda não documentadas. Agora, o país também tem a maior variedade de animais da ordem Amblypygi: 25, de um total de 170 em todo o mundo. O artigo que descreve os novos bichos foi publicado ontem na revista especializada PLOS One.

Os animais descobertos agora são do gênero Charinus. “Nós os chamamos de aranha-chicote, mas, na verdade, não são um grupo de aranhas. São parentes delas”, ressalta Gustavo Silva, aluno de pós-doutorado no Centro de Macroecologia, Evolução e Clima na Universidade de Copenhagen. Além de não produzir teia, esses animais usam o primeiro par de pernas como um tipo de antena, mantendo-o erguido para a frente, como um longo chicote em punho, o que dá ao animal seu nome popular.

Também conhecidos como aranhas-tratores, eles não são venenosos, medem cerca de 2cm e têm hábitos tímidos. A sensibilidade à luz leva os bichos a se manterem escondidos sob folhagens e dentro de cavernas e buracos, o que torna sua localização difícil. A aparência é outro obstáculo à identificação. “É difícil distinguir ao olho nu, mas debaixo do microscópio é possível”, ressalta Silva, que deu início ao trabalho quando fazia mestrado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho também é assinado por Alessandro Ponce de Leão Giupponi, da Fundação Oswaldo Cruz.

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Os animais, que faziam parte das coleções de diferentes instituições, foram identificados com base na ausência dos olhos medianos, no número de articulações das pernas e na forma da genitália feminina. O mesmo trabalho de análise também está sendo feito com outros espécimes localizados em diferentes áreas do Brasil — os pesquisadores estimam que possa haver outros 15 tipos de aranhas-chicotes brasileiras ainda não descritas.

Metade das espécies recém-descritas, no entanto, são de hábitats ameaçados e podem desaparecer em breve. Os aracnídeos batizados como C. carajas, C. ferreus e C. orientalis estão sob o perigo da atividade mineradora de Carajás, e o C. bichuetteae foi localizado na área que será inundada pela obra da usina hidrelétrica de Belo Monte.

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