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Estado de Minas

Pesquisadores apontam que consumo de carne crua moldou o homem moderno

Até então, as evidências arqueológicas indicavam que a base da alimentação dos homens primitivos era semelhante à de seu primo próximo, o chimpanzé


postado em 10/03/2016 06:00 / atualizado em 09/03/2016 23:35

Homo erectus: o ancestral do homem passou a ingerir carne antes do domínio do fogo(foto: Rebecca Wilf/Divulgação 27/7/15)
Homo erectus: o ancestral do homem passou a ingerir carne antes do domínio do fogo (foto: Rebecca Wilf/Divulgação 27/7/15)
Se o homem tem hoje a aparência que tem, agradeça à carne crua — e às ferramentas que ajudavam a retalhar o alimento em pequenos pedaços. Uma pesquisa publicada na revista Nature mostra que não foi o cozimento, mas a introdução da iguaria no cardápio dos ancestrais do Homo sapiens que levou às alterações anatômicas e fisiológicas que terminariam moldando o humano moderno. Esse processo aconteceu há cerca de 2,6 milhões de anos, quando produtos de origem animal começaram a se tornar mais frequentes na dieta.

Até então, as evidências arqueológicas indicavam que a base da alimentação dos homens primitivos era semelhante à de seu primo próximo, o chimpanzé. No topo da pirâmide estavam frutas, sementes, nozes e folhas. Pequenos mamíferos, insetos e carniça também compunham o menu, mas não representavam mais de 5% do total das calorias ingeridas. Na época do Homo erectus, ancestral que emergiu por volta de 2 milhões de anos, a carne crua já era importante componente da alimentação diária. O controle do fogo, que permitiu o cozimento, só surgiria 1 milhão de anos depois. A prática de cozinhar os alimentos se tornou comum há 500 mil anos.

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O Homo erectus era bem diferente de seus antecessores. Ele tinha um cérebro maior e uma estrutura corporal mais robusta, o que exigia um aumento de ingestão calórica. Ao mesmo tempo, seus dentes eram menores; os músculos mastigatórios, mais fracos; e o intestino, menor queos dos humanos primitivos que vieram antes dele. Fisicamente, isso se traduziu em proporções faciais mais próximas às do Homo sapiens, especialmente a dentição e o tamanho da mandíbula. Segundo os pesquisadores da Universidade de Harvard, as alterações estão associadas à necessidade menor de mastigação, o que só seria possível com o processamento dos alimentos.

“Um chimpanzé passa metade do dia mastigando. Hoje, levamos apenas alguns minutos do dia fazendo isso. Por mais que pareça engraçado estarmos estudando a mastigação, essa foi uma característica evolutiva extraordinariamente importante”, observou o Daniel E. Lieberman, autor do trabalho, em uma coletiva de imprensa. O cozimento tem sido apontado como a estratégia que permitiu ao homem gastar menos calorias comendo e, consequentemente, direcionar a energia para outras atividades. “O cozimento realmente teve profundas implicações na biologia humana, mas as evidências arqueológicas mais antigas do cozimento regular são de 400 mil a 500 mil anos”, lembrou Lieberman.

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