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Correio Braziliense

Dieta artificial ajuda cientistas a combater mosquito que transmite dengue

A alternativa dos cientistas é trabalhar com material fornecido por bancos de sangue


postado em 22/08/2016 06:00 / atualizado em 22/08/2016 07:27

Os laboratórios precisam de sangue humano para manter os mosquitos: uma dieta artificial facilitaria o trabalho(foto: Nelson Almeida/AFP - 8/1/16)
Os laboratórios precisam de sangue humano para manter os mosquitos: uma dieta artificial facilitaria o trabalho (foto: Nelson Almeida/AFP - 8/1/16)


O esquema de transmissão é conhecido: a fêmea do Aedes aegypti se alimenta do sangue de alguém infectado pelo vírus da dengue, o micro-organismo se multiplica dentro do mosquito, que o passa, pela saliva, quando pica outras pessoas. Por isso, para buscar e testar novas abordagens de combate à doença, cientistas precisam de insetos e sangue humano nos laboratórios. Um estudo em desenvolvimento no Centro de Pesquisas Renê Rachou, da Fiocruz em Minas Gerais, tenta uma solução alternativa à demanda. A intenção é criar uma dieta artificial para mosquitos que faça com que eles não precisem do fluido humano durante a etapa de reprodução do patógeno.

“Semanalmente, necessitamos de um considerável volume de sangue. Houve casos em que não conseguimos quantidade suficiente para alimentar tantos mosquitos. Logo, uma fonte nutricional que imitasse os componentes nutricionais do sangue humano, sem qualquer risco de contaminação com um agente infeccioso externo, cobriria toda a nossa demanda e evitaria o risco de se trabalhar com um material biológico”, explica Heverton Leandro Carneiro Dutra, doutorando da Fiocruz e autor da pesquisa.

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Dutra explica que o Brasil proíbe testes de contaminação pela dengue com humanos. A alternativa dos cientistas é trabalhar com material fornecido por bancos de sangue. Há quatro elementos básicos na dieta artificial: uma fonte proteica de origem animal; uma solução salina que imita as condições fisiológicas e bioquímicas do sangue humano; um produto que estimula as fêmeas dos mosquitos a se alimentarem da solução; e uma base lipídica que permite o desenvolvimento dos ovos do vírus dentro do inseto.

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Como a pesquisa está sendo finalizada, Dutra não detalha os componentes utilizados na produção. “Agora, estamos tentando encontrar aqueles que façam com que a dieta não necessite de refrigeração, possa ser armazenada a temperatura ambiente. É a única etapa que falta”, diz. Outra vantagem do trabalho, aponta, é o custo: em torno de US$ 1 é suficiente para alimentar 3 mil mosquitos, diz o pesquisador.

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