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Correio Braziliense

Bebê com 23 semanas sobrevive a cirurgia e reacende debate sobre aborto

Lei que autoriza aborto está em vigor desde 1967 no Reino Unido; país registra cerca de 200 mil abortos legais por ano


postado em 08/03/2017 11:50 / atualizado em 08/03/2017 11:51

A prematura Abi Peters era menor do que a mão do médico quando nasceu(foto: Internet/Reprodução)
A prematura Abi Peters era menor do que a mão do médico quando nasceu (foto: Internet/Reprodução)
 
O nascimento da pequena Abi Peters, com apenas 23 semanas de gestação, e as primeiras horas de vida dela puseram à prova toda a equipe médica do hospital de Chertsey, na Inglaterra. Após o parto, em outubro do ano passado, a menina precisou passar por uma cirurgia no abdômen e se tornou a pessoa mais jovem a sobreviver a esse tipo de procedimento.

A história de Abi foi notícia em sites e jornais no mundo e reacendeu o debate sobre aborto na Grã-Bretanha. Nos países que fazem parte do Reino Unido, a interrupção de uma gravidez até a 24ª semana é legal. A sobrevivência de um bebê prematuro, que conseguiu sobreviver fora do útero mesmo após uma cirurgia, passa então a dividir opiniões entre os que defendem o direito ao aborto, previstos na lei britânica, e aqueles que acham que um bebê com 24 semanas já teria condições de sobrevivência e que o aborto traria sofrimento à criança.

Uma reportagem publicada pelo site Daily Mail mostra que quase 200 mil abortos legais são feitos todos os anos no Reino Unido. De acordo com a notícia, este crescimento é o oposto do que pretendiam os legisladores que criaram a lei do aborto britânica, em 1967. O objetivo era proteger um pequeno número de mulheres altamente vulneráveis, de eventuais perigos das ruas.

O médico ouvido pelo Daily Mail, Marie Stopes, acredita que hoje, 50 anos após criação da lei, a normatização atual não reflete a realidade científica e os enormes avanços neonatais. Para o médico, o limite de 24 semanas é muito longo, visto que bebês já sobreviveram a partos prematuros antes desse prazo. Stopes também critica a facilidade em fraudar autorizações de aborto, bastando a assinatura de dois médicos. Profissionais que nunca tiveram contato com as pacientes assinam, remotamente, atestados que as classificam como aptas ao procedimento.
 
Louise e David Peters com a filha, Abi, a mais jovem paciente a sobreviver a uma cirurgia abdominal(foto: Internet/Reprodução)
Louise e David Peters com a filha, Abi, a mais jovem paciente a sobreviver a uma cirurgia abdominal (foto: Internet/Reprodução)
 
O site de notícias atribui ao lobby feminista - mesmo que em grupos pequenos, mas altamente expressivos - a tentativa de evitar qualquer discussão em torno da redução do prazo limite de 24 semanas. Um dos exemplos citados veio do esforço dos grupos "pró-escolha" em tentar barrar um projeto no parlamento que visava a criminalização de abortos seletivos, com base na escolha do gênero da criança.

Direito questionado

As defensoras da liberdade feminina se recusam a tolerar quaisquer restrições adicionais sobre o direito ao aborto e defendem ainda mais liberdade, inclusive a dispensa da avaliação de um médico. Uma das representantes desse grupo é a professora Cathy Warwick, diretora executiva do Royal College of Midwives. No ano passado, sem consultar outros membros, ela assinou um documento de uma campanha que visava banir o limite em vigor, de 24 semanas de gestação, e permitir às mulheres o direito irrestrito de pôr fim a uma gravidez pelas vias legais.

Em 2008, segundo o Daily Mirror, 66 bebês sobreviveram a abortos malsucedidos na Grã-Bretanha. Metade deles sobreviveram por uma hora. Um chegou a 12 horas de vida.

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