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Correio Braziliense

Anticorpo que protege contra o vírus da dengue também combate o zika

O resultado do experimento, feito em ratos, foi publicado na edição de ontem da revista Nature Immunology


postado em 26/09/2017 06:00

Feto de ratos vacinados (esq.) se desenvolveu mais que os dos não tratados (dir.)(foto: Estefania Fernandez/Divulgação)
Feto de ratos vacinados (esq.) se desenvolveu mais que os dos não tratados (dir.) (foto: Estefania Fernandez/Divulgação)

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis mostrou que um anticorpo que protege contra o vírus da dengue também é efetivo no combate ao zika. O resultado do experimento, feito em ratos, foi publicado na edição de ontem da revista Nature Immunology


Anticorpos são defesas naturais produzidas pelo organismo quando em contato com agentes externos ameaçadores, como vírus e bactérias. Eles permanecem na corrente sanguínea por algumas semanas; por isso, uma ou poucas doses de medicamentos baseados nessas substâncias ao longo da gravidez teriam o potencial de proteger o feto e a mãe contra o zika. Além do zika, a gestante ficaria imune à dengue.

Como dengue e zika são vírus semelhantes, os pesquisadores, liderados por Michael S. Diamond, levantaram a hipótese de que um anticorpo que previne uma doença poderia fazer o mesmo quanto a outra. Para testar essa ideia, infectaram fêmeas de rato adultas com o zika e, então, administraram anticorpos da dengue um, três e cinco dias depois. Para comparação, outro grupo de ratos infectados com o zika recebeu apenas placebo. Dentro de três semanas, mais de 80% dos animais não tratados morreram, enquanto que todos os imunizados três dias após a contaminação continuaram vivos. O índice de sobrevivência dos ratos que receberam o anticorpo cinco dias depois de infectados foi de 40%.

Para saber qual anticorpo protegeria também os fetos, os pesquisadores contaminaram fêmeas no sexto dia de gestação com o zika e, então, administraram uma dose de anticorpo ou de placebo um e três dias depois. No 13º dia, a quantidade de material genético do vírus foi 600 mil vezes menor nas placentas e 4,9 mil vezes menor nas cabeças dos fetos das cobaias tratadas um dia depois da infecção, comparada à do grupo placebo. Contudo, administrar o anticorpo três dias depois do contágio foi menos efetivo: essa prática reduziu a quantidade de material viral em 19 vezes (feto) e 23 vezes (gestantes).

Limitações

Os resultados sugerem que, para o anticorpo proteger o feto efetivamente, deve ser administrado logo após a infecção. Porém, isso não é algo realista, visto que as mulheres não têm como saber quando foram picadas pelo mosquito contaminado. Por outro lado, imunizá-las assim que descobrem que estão grávidas poderia ser uma boa estratégia de defesa contra o vírus, alegam os pesquisadores.
 
De acordo com Diamond, a chave para usar o anticorpo como medida preventiva seria ter certeza que os níveis da substância na corrente sanguínea da mulher permaneceriam altos o suficiente para proteger o feto ao longo de toda a gestação. Por isso, a equipe trabalha, agora, para fazer essa identificação. Os cientistas também estão explorando formas de prolongar a meia-vida do anticorpo no sangue, o que reduziria a quantidade de vezes necessárias em que a mulher precisaria usá-lo.

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