Ciência e Saúde

Índice de doares de sangue no Brasil é abaixo do recomendado pela OMS

Segundo a Fundação do Hemocentro de Brasília, o número de doadores cai em período de seca

Fernanda Soraggi*
postado em 23/11/2017 15:52
Neste sábado (25/11) é o dia nacional do doador de sangue. A data foi instituída no dia 30 de junho de 1964, para relembrar a população da importância do ato. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é recomendado que o número de doadores de um país esteja entre 3% a 5%, infelizmente no Brasil, o índice não chega a 2%.

Atualmente, os níveis dos bancos de sangue estão em estado de alerta. Segundo a Fundação do Hemocentro de Brasília, isso aconteceu devido a de seca, época que o número de doadores geralmente cai. ;Nunca fizemos um estudo o porquê disso acontecer na época da seca, mas imaginamos que seja por conta do calor, das pessoas passarem mal. Isso já é comum em Brasília.;, esclareceu o Hemocentro.
O gerente do ciclo do doador da Fundação Hemocentro afirma que doar sangue deveria ser um estilo de vida, que todos estivessem envolvidos na causa. "O sangue é o nosso principal comunicador, tudo que acontece no nosso organismo aparece no nosso sangue, a baixa dele pode causar danos irreversíveis". O gerente também explica que, principalmente, na época de fim de ano, os estoques ficam bastante prejudicados. "É a época que tem mais acidentes, por isso é importante que as pessoas doem".
Outro impedimento para as pessoas que queiram doar sangue é que o único Hemocentro público no DF é localizado no Plano Piloto, ou seja, não são todas as pessoas que conseguem se deslocar até o Hemocentro. Iran Botafogo, 28 anos, personal trainer, e doador voluntário, defende que outros hemocentros deveriam ser criados nas cidades satélites, para ele, o banco de sangue aumentaria muito mais. ;As pessoas tem que sair da cidade satélite para ir doar, isso prejudica muito por conta da locomoção;.

Sabendo desta realidade, o Hemocentro disponibiliza vans para buscar grupos de doadores em locais distantes da Fundação. Foi o caso do Colégio La Salle de Águas Claras que desde 2015, organiza o trote solidário. Uma das criadoras do projeto, Ana Carolina Boccucci, professora de biologia, 35 anos, disse que teve a ideia durante uma aula sobre o sistema cardiovascular. ;A empolgação nos olhos dos meninos, misturada com sentimento de medo da agulha e sensação de fazer o bem é estimulante. Acompanho todos durante todo o processo. Até seguro a mão se for necessário, para dar coragem;, comenta a professora.

Doadores voluntários


Segundo o relatório publicado pela Organização Pan-Americana de Saúde, em 2015, no Brasil, se teve 61,25% doadores voluntários e 38,75% doadores de reposição - pessoas que doam para determinado paciente -, vale ressaltar que no país, não existe doação remunerada ao contrário de outros países.
Gabriel Dias, 20 anos, estudante de engenharia de redes em comunicação, faz parte do grupo que doa voluntariamente. O que ele mais gosta em doar é o espírito de poder ajudar o outro. ;Uma coisa que a gente tem tanto no corpo, que se regenera, não custa nada ficar lá 1 ou 2 horinhas e poder ajudar até 4 pessoas;, comenta o estudante. Gabriel relata que seu pai o influenciou para virar doador. ;Eu via meu pai doar quando era pequeno e eu achava isso sensacional. Era doido pra ser adulto logo e poder doar também;.

Victória Martins, 20 anos, estudante, doadora, mas, esse ano teve que interromper devido a anemia. ;Doar sangue vira um hábito, você sente a sente a necessidade de voltar. Toda vez que vejo uma campanha me sinto desatenta com meu dever nisso, mas estou tratando para voltar a doar;, conta a estudante. Victória também ressalta a importância das campanhas de doação de sangue se expandirem para as escolas. ;Acho que a galera ainda tem muito receio sobre doenças, dor ou todo o procedimento, e acho que tudo isso é falta de informação. A escola deveria ser o segundo lugar a ser conversado isso, depois da família;,

Quando Roberta Frescura, 35 anos, bióloga, tinha 2 anos sofreu uma grave pneumonia e acabou necessitando de transfusão sangue. ;Eu tomei mais de 8L de sangue no mês que eu passei internada no hospital;, ressalta Roberta.
A bióloga conta que, hoje em dia, é mais fácil a doação acontecer por conta da tecnologia e redes socias. ;Em 84, quando eu precisei, não existia telefone celular, os meus familiares saíram as ruas, foram as casas dos conhecidos, dos vizinhos para pedir doação de sangue;.
Roberta foi doadora assídua durante muito tempo, mas por estar abaixo do peso ideal para doação, atualmente, não pode mais doar. ;Eu sei o quão o desesperador é você chegar no banco de sangue, saber que um parente seu precisa da doação e não ter aquele sangue pra ele. O ideal era que todos que podem doar, doassem para que não faltasse pra ninguém;.


Requisitos para doação

As pessoas que queiram doar precisam estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, - menores de 18 anos devem apresentar formulário de autorização - (colocar o formulário aqui) e pesar acima de 50kg.
Já no dia da doação, deve-se apresentar documento oficial com foto em bom estado, ter dormido por pelo menos 6h no dia anterior a doação, não ter praticado exercícios físicos 12 horas anteriores a doação, não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação, não ter feito endoscopia nos últimos 6 meses, não ter feito tatuagem, piercing ou maquiagem definitiva nos últimos 12 meses e evitar fumar 2 horas antes da doação.
Para maiores informações, entre em contato com a Fundação do Hemocentro Brasília, pelo número: 3327-4447 ou pelo site, http://www.fhb.df.gov.br/

Neste sábado

No Dia Nacional do doador de sangue o Hemocentro convida toda população para participar das atividades que acontecerão no local. Será um dia repleto de bandas, corais e até barbeiros para quem quiser cortar o cabelo. O Hemocentro ficará aberto de 7h até às 18h.
*Estagiária sob supervisão de ***

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