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Correio Braziliense

Estudo mostra que ovelha Dolly não envelheceu antes do tempo

Segundo o estudo publicado na revista Scientific Reports, os problemas na articulação do joelho da ovelha que virou celebridade eram normais para a idade dela


postado em 24/11/2017 07:56


 Segundo os pesquisadores, não há registro formal de osteoartrite em Dolly, apenas uma %u201Cbreve menção%u201D em um artigo submetido a uma conferência científica(foto: AFP / Colin MCPHERSON)
Segundo os pesquisadores, não há registro formal de osteoartrite em Dolly, apenas uma %u201Cbreve menção%u201D em um artigo submetido a uma conferência científica (foto: AFP / Colin MCPHERSON)
Resultados de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, e da Universidade de Glasgow, na Escócia, põem em xeque o que é considerado um dos grandes complicadores da clonagem: o risco de envelhecimento mais rápido do que o normal. Ao analisar o esqueleto da ovelha Dolly, cientistas descobriram que ela não sofria de osteoartrite relacionada à idade, o que fez com que fosse abatida em 2003, antes de completar sete anos.

Segundo o estudo publicado na revista Scientific Reports, os problemas na articulação do joelho da ovelha que virou celebridade eram normais para a idade dela. As radiografias mostraram que o alcance da doença não era “incomum” para um animal concebido naturalmente de entre sete e nove anos de idade. Os exemplares da raça de Dolly, a Finn-Dorset,  vivem geralmente até os 10 ou 12 anos, e ela foi abatida aos seis anos e oito meses.

Para chegar à conclusão, a equipe analisou raios X do esqueleto de Dolly, cujo corpo embalsamado está exposto no Museu Real da Escócia, em Edimburgo. Também foram considerados exames de imagem dos esqueletos de Bonnie, a filha de Dolly concebida naturalmente, e de Megan e Morag, ovelhas clonadas usando uma técnica diferente, cujos ossos também pertencem à coleção do museu escocês.

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Segundo os pesquisadores, não há registro formal de osteoartrite em Dolly, apenas uma “breve menção” em um artigo submetido a uma conferência científica. Registros de diagnóstico ou de exames feitos no animal não foram preservados. Os argumentos contra a associação entre clonagem e envelhecimento precoce ganham ainda mais força porque a mesma equipe publicou um estudo no ano passado, na revista Nature Communications, relatando que quatro cópias geneticamente idênticas de Dolly tinham envelhecido normalmente, sem sintomas de osteoartrite.

Irmãs saudáveis

Debbie, Denise, Dianna e Daisy —  irmãs idênticas de Dolly, nascidas 11 anos depois — foram feitas a partir da mesma linha celular de glândula mamária. Aos nove anos, nenhuma era diabética ou hipertensa, complicações também mais comuns com o envelhecimento. Apesar dos resultados, os estudiosos ressaltam que há limitações na pesquisa. Uma delas é o fato de que a análise foi feita nos ossos das ovelhas.  A osteoartrite, porém, atinge toda a articulação, incluindo os nervos e a cartilagem.

Dolly foi criada por transferência nuclear de células somáticas, técnica que consiste em remover o núcleo contendo DNA de uma célula que não seja um óvulo ou esperma e injetá-lo em um óvulo não fertilizado cujo núcleo foi removido. O DNA maduro é reprogramado para o estado embrionário com a ajuda de um choque elétrico, e o óvulo passa a formar um embrião quase idêntico ao doador do DNA. A clonagem de animais é utilizada na pecuária, principalmente para criar reprodutores.

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