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Correio Braziliense

Formigas formam "equipes médicas" para cuidar de companheiras feridas

Segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, algumas formigas socorrem suas companheiras feridas em operações de caça. O comportamento reduz de 80% para 10% a mortalidade dos insetos


postado em 14/02/2018 10:04 / atualizado em 15/02/2018 09:36

Formigas africanas feridas em guerra contra cupins, soltam feromônios solicitando ajuda de companheiras para receberem cuidados(foto: Agência France-Presse/ Royal Society / Erik Frank / Julius-Maximilians Universitat Wurzburg)
Formigas africanas feridas em guerra contra cupins, soltam feromônios solicitando ajuda de companheiras para receberem cuidados (foto: Agência France-Presse/ Royal Society / Erik Frank / Julius-Maximilians Universitat Wurzburg)
Paris, França - As formigas africanas matabele socorrem as companheiras feridas nas operações de caça e cuidam delas até que recuperem totalmente a saúde - aponta um estudo publicado nesta quarta-feira (14/2), que mostrou aspectos "assombrosos" do comportamento animal.

Depois de evacuar as companheiras feridas dos campos de batalha e levá-las para o ninho, as formigas atuam como equipes médicas, reunindo-se em torno dos pacientes para lamber seus ferimentos de forma "intensa", relata um estudo publicado na revista "Proceedings of the Royal Society B".


"Isso não se faz por meio do autocuidado, que é algo conhecido por muitos animais, mas mediante um tratamento feito por outros, que, lambendo intensamente a ferida, impedem que haja uma infecção", explicou o coautor do estudo Erik Frank, concluído pela Universidade de Lausanne, na Suíça.

Uma das maiores espécies que existem, essas formigas são guerreiras ferozes e atacam inclusive humanos com sua mordida.

Descobertas

Esses insetos, que levam o nome da aguerrida tribo da África meridional, caçam cupins, que são animais maiores do que elas, atacando os lugares onde se alimentam em colunas de 200 a 600 indivíduos.

Este método leva à baixa de muitas formigas, que, com frequência, perdem suas extremidades pelas mordidas dos cupins.


As "socorristas" usam suas desenvolvidas mandíbulas para recolher as feridas e arrastá-las para o ninho para serem tratadas.

Ainda mais impressionante é que as guerreiras que estão gravemente feridas - por exemplo, insetos que perderam cinco, ou seis, pernas - fazem um sinal para os membros da equipe de resgate para que não percam tempo com elas.

Para a Universidade de Wurtzburgo essa descoberta gera vários questionamentos, considerando essas revelações como "assombrosas".

"Como as formigas sabem exatamente onde tem uma companheira ferida? Como sabem quando deixar de atender as feridas? O tratamento é meramente preventivo, ou é algo terapêutico, depois que a infecção se instalou?", questionou a instituição.

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