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Correio Braziliense

Clima extremo aumentará mesmo que se cumpra acordo de Paris, diz estudo

Está previsto que os compromissos individuais de mais de 190 países sob o acordo de Paris limitarão o aquecimento do planeta a entre 2 e 3 graus Celsius


postado em 14/02/2018 22:38

(foto: AFP / PHILIPPE HUGUEN)
(foto: AFP / PHILIPPE HUGUEN)

 
O risco de condições climáticas extremas, como ondas de calor, inundações e secas, aumentará significativamente inclusive se os compromissos do acordo climático de Paris de 2015 forem cumpridos, alertou um estudo nesta quarta-feira (14/2). 

O estudo publicado na revista Science Advances analisa a probabilidade de episódios de calor, períodos secos e excesso de chuvas nos próximos anos, fenômenos agravados pelo aquecimento global e pelo aumento do nível do mar. 

As consequências nefastas das mudanças climáticas já estão se tornando evidentes. O ano de 2017 registrou um novo recorde, como o ano mais caro da história em termos de furacões, incêndios, inundações, secas e outros eventos extremos, com um custo total de 306 bilhões de dólares. 

"Estes custos crescentes são um dos muitos sinais de que não estamos preparados para o clima atual, e muito menos para outro grau de aquecimento global", disse o autor principal do estudo, Noah Diffenbaugh, pesquisador do Instituto de Meio Ambiente de Stanford Woods. 

Está previsto que os compromissos individuais de mais de 190 países sob o acordo de Paris limitarão o aquecimento do planeta a entre 2 e 3 graus Celsius. 

Mas é "provável" que esse nível de aquecimento "leve a aumentos substanciais e generalizados na probabilidade de eventos extremos sem precedentes na história", disse o estudo dirigido por pesquisadores das universidades de Stanford, Columbia e Dartmouth College. 

Com os compromissos atuais, as ondas de calor são mais de cinco vezes mais prováveis em metade da Europa e um quarto da Ásia. 

As fortes chuvas são três vezes mais prováveis em mais de um terço da América do Norte, Europa e Ásia oriental. 

O acordo de Paris aspira a mudanças mais profundas, que reduziriam o aquecimento a 1,5 °C. Esse cenário limitaria mas não eliminaria o risco de condições climáticas extremas, segundo o relatório. 

Diffenbaugh esclareceu que cumprir os objetivos "aspiracionais" faria a diferença. 

"Ao mesmo tempo, inclusive se esses objetivos forem alcançados, ainda viveremos em um clima que tem uma probabilidade substancialmente maior de eventos sem precedentes que o que temos agora", disse.

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