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Correio Braziliense

Ovo inteiro ou só as claras: o que é melhor ingerir para ganhar músculos?

Pesquisa comparou os efeitos da ingestão de ovos inteiros ou somente as claras em homens de 21 anos


postado em 13/03/2018 09:24

Corpo responde melhor quando o praticante de atividade física come a clara e a gema(foto: Jose Varella/CB/D.A Press - 2/5/02)
Corpo responde melhor quando o praticante de atividade física come a clara e a gema (foto: Jose Varella/CB/D.A Press - 2/5/02)

O ovo conquistou espaço na lista dos alimentos preferidos por esportistas e pessoas comuns que buscam saúde e boa forma. Agora, uma pesquisa da Universidade de Ilinóis em Urbana, nos Estados Unidos, mostra que não pode haver distinção no consumo dessa fonte de proteína. Segundo eles, comer um ovo inteiro depois da prática de exercícios físicos de resistência pode ser melhor no ganho de músculos do que ingerir apenas as claras.

O estudo, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, foi feito com 10 homens, com idade média de 21 anos e divididos em dois grupos. Um recebeu diariamente um ovo inteiro. Outro, somente claras. Ambas as composições pesavam 18g. Amostras de sangue e biópsias musculares tiradas após a prática dos exercícios ajudaram os cientistas a avaliar os voluntários. 

Diariamente, a equipe media, pelos exames, a velocidade com que os ovos inteiros e as claras eram digeridos e a quantidade de aminoácidos que apareciam no sangue. “Com as biópsias dos músculos, conseguimos medir a síntese proteica muscular, que é um indicador de reparo e remodelação do tecido esquelético muscular”, conta Stephan Van Vliet, um dos autores.

A equipe descobriu que, embora as claras de ovo sejam digeridas mais rápido e tanto elas quanto o ovo inteiro estimulem a síntese proteica muscular, a resposta do corpo é maior quando a pessoa come clara e gema. “A maioria dos nutrientes, como lipídios, vitaminas, minerais, é encontrada na gema do ovo. Nosso estudo sugere que comer as proteínas no ovo inteiro tende a ser mais benéfico para nossos músculos do que ter apenas uma proteína de uma fonte isolada com a clara”, diz Stephan Van Vliet.

Segundo Carlos Alberto Werustsky, nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia, o estudo confirma a qualidade alimentar do ovo. “Ele tem a maior quantidade de aminoácidos essenciais entre os alimentos proteicos de origem animal”, justifica. Werustsky ainda destaca que o alimento é fonte de vitaminas e sais mineirais, princialmente o ferro e a vitamina D.

Mais análises
Para o professor de educação física da Universidade de Brasília (UnB) Edgard Soares,  o estudo americano pode ser o pontapé inicial para outros experimentos científicos na área. “Ninguém havia se interessado ainda pelo efeito da gema e da clara dos ovos juntos e sobre seus efeitos. Esse estudo vai impulsionar vários outros”, acredita.

Contudo, segundo os especialistas, os resultados obtidos não são suficientes para mudar as recomendações médicas. “Embora o ovo tenha baixa caloria, comê-lo diariamente pode fazer diferença no peso da pessoa, por exemplo”, justifica Soares. O  educador físico também destaca que, mesmo que os métodos usados no estudo americano sejam excelentes, ele foi feito apenas com homens jovens. É preciso, portanto, verificar se o mesmo se aplica a mulheres, idosos e sedentários.

Ampliar o perfil dos voluntários não é um objetivo imediato dos pesquisadores, contudo. Segundo Stephan Van Vliet, os próximos passos da pesquisa consistem em estudar os fatores que influenciam a síntese proteica muscular. “Pretendemos investigar alguns compostos bioativos na gema e os efeitos que podem ter sobre a síntese proteica muscular”, adianta. (Sara Sane*)

* Estagiária sob supervisão da subeditora Carmen Souza

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