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Correio Braziliense

FAO pede investimento em florestas urbanas contra a poluição

Mais da metade da população mundial vive agora em cidades, e até 2050 essa porcentagem atingirá quase 70%, segundo dados da ONU


postado em 21/03/2018 17:47

AFP/Arquivos(foto: O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, José Graziano da Silva, em Adjumani, em Uganda, em agosto de 2017 )
AFP/Arquivos (foto: O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, José Graziano da Silva, em Adjumani, em Uganda, em agosto de 2017 )
Roma, Itália - A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) pediu, nesta terça-feira (20/3), que os países invistam em florestas urbanas para lutar contra a poluição e as mudanças climáticas e seguir o exemplo de programas ecológicos lançados em Lima e Pequim.

"Investir em zonas verdes pode ajudar a transformar as cidades em lugares mais sustentáveis, saudáveis, equitativos e agradáveis para se viver", assegurou a FAO na véspera do Dia Internacional das Florestas, que é comemorado em 21 de março.

"As florestas e árvores bem administradas dentro e em volta das cidades proporcionam habitats, alimentos e proteção para muitas plantas e animais, ajudando a manter e aumentar a biodiversidade", indicou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

Mais da metade da população mundial vive agora em cidades, e até 2050 essa porcentagem atingirá quase 70%, segundo dados da ONU. "Embora as cidades ocupem só 3% da superfície terrestre, consomem 78% da energia e emitem 60% do dióxido de carbono", explicou a agência especializada.

Segundo os especialistas da entidade, as zonas florestais, florestas e árvores em uma cidade e em seus arredores realizam uma série de funções vitais, como armazenar carbono, eliminar poluentes do ar, ajudar a obter segurança alimentar, energia e água, restaurar os solos degradados e prevenir a seca e as inundações.

"As árvores colocadas adequadamente em volta dos edifícios podem reduzir as necessidades de ar condicionado em 30%", explica a agência. "Em climas frios, ao proteger as casas do vento, podem ajudar a economizar a energia utilizada para a calefação entre 20% e 50%", aponta a nota.

Os especialistas apontaram, com um documento denominado "Florestas e cidades", alguns exemplos inspiradores, entre eles os programas de desenvolvimento urbano ecológico lançados pelo Peru e por Pequim.

Lima reduziu o risco de deslizamentos de terra através de um projeto de florestamento lançado em 2015 para capacitar a população local a plantar florestas que ajudam a reduzir o risco de desastres porque estabilizam os deslizamentos, evitam e previnem as quedas de pedras, retêm a lama e os sedimentos, e contribuem para melhorar o meio ambiente.

Uma área de 14 hectares, equivalente a cinco campos de futebol, foi transformada em parque. Foram plantadas 23.000 árvores nativas e se instalou um sistema de irrigação por gotejamento com águas residuais tratadas, explicou a FAO.

Na China se fala "do milagre do florestamento de Pequim", uma das cidades mais populosas e poluídas do mundo.

"Em 2012, Pequim iniciou o maior programa de florestamento da sua história. Nas áreas suburbanas e periurbanas, a maioria das terras foram reflorestadas depois de trasladar indústrias de baixo custo", aponta o estudo da FAO. As florestas agora cobrem mais de 25% da planície onde se encontra a cidade, com um aumento de 42% dos espaços para lazer, diz a nota da FAO.

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