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Correio Braziliense

Sensor colado no dente ajuda monitorar o consumo de glicose, sal e álcool

As informações coletadas pelo dispositivo podem ainda ser transmitidas sem fio para outros aparelhos


postado em 02/04/2018 06:00 / atualizado em 02/04/2018 08:32

(foto: Fio Omenetto, Ph.D., Universidade Tufts/Divulgação)
(foto: Fio Omenetto, Ph.D., Universidade Tufts/Divulgação)


Monitorar, em tempo real, o que acontece em nosso corpo tem grande valor para a medicina e para outros ramos científicos. O processo, porém, não é fácil. Testes comuns requerem que o paciente carregue aparelhos pesados por longos períodos de tempo, que devem ser mantidos junto ao corpo constantemente, como o feito com a pressão arterial. Pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, criaram um sensor capaz de facilitar a tarefa. Ele é tão pequeno que pode ser colado à superfície de um dente e consegue monitorar o consumo de glicose, sal e álcool. As informações coletadas pelo dispositivo podem ainda ser transmitidas sem fio para outros aparelhos.

Os criadores acreditam que versões futuras do sensor permitirão o acompanhamento de uma grande variedade de nutrientes, substâncias químicas e estados fisiológicos, como a desidratação. O dispositivo é flexível e tem apenas 2 milímetros de lado, ajustando-se à superfície do dente. É composto por três camadas: a central absorve a substância que se quer monitorar. As duas externas são revestidas por um filme de seda, um material biocompatível, e funcionam em conjunto como uma pequena antena, transmitindo informações da mesma forma que cartões eletrônicos de ônibus.

Radiofrequência 

A técnica é chamada RFID — sigla em inglês para identificação por radiofrequência. Quando um sinal de rádio atinge o dispositivo, ele modifica e reflete as ondas de forma a transmitir informações para o aparelho receptor. Os dados coletados, porém, variam de acordo com a camada central. Se ela entra em contato com a substância desejada, como sal ou álcool, suas propriedades elétricas mudam, fazendo com que o sensor reflita uma frequência diferente das ondas de rádio. Isso permite que o consumo desses alimentos seja constantemente medido e registrado. “Em teoria, podemos modificar a camada central dos sensores para avaliar outros produtos químicos.

Estamos limitados apenas pela nossa criatividade mesmo”, afirma Fiorenzo Omenetto, um dos criadores. “Nós estendemos a tecnologia comum de RFID para um sensor que pode ler e transmitir dinamicamente informações sobre seu ambiente, esteja ele fixado em um dente, à pele ou a qualquer superfície”, completa. Os testes realizados mostraram que o dispositivo funciona de forma confiável pelo período de uma semana. Além disso, ele foi testado quatro vezes em humanos, em diversas condições, como com a boca seca e após o consumo de água da torneira, de suco de maçã, de álcool, de enxaguante bucal e de sopa.

A versão atual detecta apenas o consumo de sal, glicose e álcool, o que pode ajudar médicos a monitorar pacientes com diabetes ou hipertensão, por exemplo. Mas, segundo o artigo divulgado recentemente na revista Advanced Materials, o dispositivo pode ser ajustado para medir o Ph, a temperatura e a hidratação da boca. Além disso, mais camadas podem ser adicionadas ao sistema para aumentar sua funcionalidade.

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