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Correio Braziliense

Cientistas mapeiam danos do zika em cérebro de recém-nascidos

Os pesquisadores analisaram oito macacos rhesus, que foram infectados com o zika vírus logo após nascerem


postado em 05/04/2018 06:00 / atualizado em 05/04/2018 07:29

(foto: Marvin Recinos/AFP)
(foto: Marvin Recinos/AFP)

Danos neurais causados pelo zika vírus aos fetos têm sido constatados pela ciência. Há, porém, dúvidas se, em crianças, a ação do vírus se limita à fase da gestação. Em análises com macacos, cientistas dos Estados Unidos constataram que a infecção que ocorre logo após o nascimento também resulta em anormalidades na estrutura e na função do cérebro em formação, além de mudanças comportamentais. Os achados foram publicados na última edição da revista Science Translational Medicine.

Os pesquisadores analisaram oito macacos rhesus, que foram infectados com o zika vírus logo após nascerem. A equipe de cientistas usou imagens cerebrais geradas por meio de ressonância magnética (RM), que revelaram detalhes estruturais e funcionais aos três e seis meses de idade das cobaias, para avaliar o impacto da infecção. Uma das constatações foi de que o vírus causou prejuízos neurais aos filhotes.

“As varreduras foram valiosas para confirmar quais regiões cerebrais foram afetadas pelo vírus e/ ou indiretamente prejudicadas pela inflamação e, mais importante, as anomalias cerebrais persistentes identificadas justificaram algumas mudanças comportamentais que observamos”, explicou, em um comunicado, Ann Chahroudi, pesquisadora da Universidade de Emory e uma das autoras do estudo.

A equipe também descobriu que os efeitos, no cérebro, da infecção pós-natal são mais sutis do que a ação congênita do vírus. Além disso, não parece haver um efeito sobre a visão ou a memória de reconhecimento visual. “Algumas descobertas específicas que relatamos são invasão do sistema nervoso pelo zika vírus, aumento dos ventrículos laterais e maturação anormal do hipocampo e de outras regiões cerebrais”, listou Maud Mavigner, pesquisadora da Universidade de Emory e principal autora do artigo.

Maior vigilância
A cientista ressalta que os resultados, mesmo não tendo sido detectados em humanos, devem ser considerados por médicos e gestantes. “As diferenças neurológicas, comportamentais e emocionais permaneceram meses após o vírus ter desaparecido do sangue dos filhotes. É por isso que nossa equipe recomenda mais do que apenas monitoramento de rotina para pacientes pediátricos infectados pelo zika”, explica.

Para os investigadores, a análise da ação do vírus no cérebro de filhotes de macacos poderá ajudar no maior entendimento dos efeitos da infecção pós-natal e abrir portas para o desenvolvimento de novos testes e novas terapias. “Isso nos dá esperança de que, em nosso trabalho futuro, possamos encontrar maneiras de limitar o efeito do vírus zika no cérebro em desenvolvimento”, diz Chahroudi.

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