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Correio Braziliense

Cães e humanos têm flora intestinal mais parecidas do que o imaginado

Os achados poderão contribuir para o tratamento de doenças como a obesidade em ambas as espécies


postado em 19/04/2018 06:00 / atualizado em 19/04/2018 06:56

Semelhança entre micróbios pode ajudar a combater a obesidade (foto: Ronaldo Schemidt/AFP - 9/4/17)
Semelhança entre micróbios pode ajudar a combater a obesidade (foto: Ronaldo Schemidt/AFP - 9/4/17)


A flora intestinal de cães e a de humanos são mais parecidas do que o imaginado. A descoberta foi feita por pesquisadores do Laboratório Europeu de Microbiologia Molecular, que chegaram à conclusão após comparar amostras da flora de 64 cães com a de homens e mulheres. Segundo a equipe, os achados, publicados na revista especializada Microbiome, poderão contribuir para o tratamento de doenças como a obesidade em ambas as espécies.

Metade dos animais do experimento eram da raça beagle e a outra metade, de retrievers. Eles ainda foram subdivididos igualmente entre animais magros e com sobrepeso. Todos os cães seguiram uma dieta com a  mesma quantidade de ração durante quatro semanas. Depois, foram separados aleatoriamente em dois grupos: um passou a consumir dieta rica em proteínas e pouco carboidrato, o outro grupo recebeu regime rico em carboidrato e baixa proteína. Essa segunda etapa também durou quatro semanas.

Ao todo, 129 amostras de fezes de cachorro foram coletadas. Os pesquisadores extraíram o DNA desse material para criar um catálogo do microbioma intestinal, composto por 1.247.405 genes. O catálogo canino foi comparado aos de genes do microbioma intestinal existentes em humanos, camundongos e suínos, com o intuito de identificar semelhanças genéticas e entender como o microbioma intestinal responde às mudanças na dieta.

Os pesquisadores descobriram que as alterações na quantidade de proteínas e de carboidratos tiveram efeito similar na microbiota de cães e humanos, independentemente da raça ou do sexo do cão. Eles observaram também que a flora dos animais com sobrepeso respondeu melhor à dieta rica em proteínas, quando comparada à de cães magros.

Luis Pedro Coelho, principal autor do estudo, ressalta as possíveis aplicações das descobertas. “Elas sinalizam que poderíamos usar dados de cães para estudar o impacto da dieta na microbiota intestinal de seres humanos e que humanos poderiam ser um bom modelo para estudar a nutrição de cães”, diz. “Os resultados dessa comparação sugerem que somos mais parecidos com o melhor amigo do homem do que pensávamos.”

Os autores advertem que humanos e cães hospedem micróbios muito semelhantes, com cepas muito próximas da mesma espécie, mas não iguais. Ainda assim, segundo eles, os resultados podem ajudar a amenizar um problema cada vez mais frequente entre os tutores. “Muitas pessoas têm animais de estimação e os consideram como parte da família. Como os humanos, os cães enfrentam um problema crescente de obesidade. Portanto, é importante estudar as implicações de diferentes dietas”, explica Luis Pedro Coelho.

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