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Correio Braziliense

Número de planetas habitáveis no Universo pode ser maior do que o imaginado

Placas tectônicas, até hoje só encontradas na Terra, que há muito se supunha ser uma exigência das condições adequadas para a vida, não são, de fato, necessárias para isso


postado em 02/08/2018 09:59

Ao procurar por planetas habitáveis ou pela vida extraterrestre, os cientistas buscam bioassinaturas do dióxido de carbono atmosférico(foto: NASA/ESA/AFP)
Ao procurar por planetas habitáveis ou pela vida extraterrestre, os cientistas buscam bioassinaturas do dióxido de carbono atmosférico (foto: NASA/ESA/AFP)

 
O número de planetas habitáveis no Universo pode ser muito maior do que o imaginado, garantem geocientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia. Em um artigo publicado na revista Astrobiology, eles sugerem que as placas tectônicas, até hoje só encontradas na Terra, que há muito se supunha ser uma exigência das condições adequadas para a vida, não são, de fato, necessárias para isso.

Ao procurar por planetas habitáveis ou pela vida extraterrestre, os cientistas buscam bioassinaturas do dióxido de carbono atmosférico. Na Terra, esse composto aumenta o calor da superfície por meio do efeito estufa. O carbono também volta ao subsolo, onde é estocado, e retorna à atmosfera por meio de processos naturais, como o vulcanismo.

“O vulcanismo libera gases para a atmosfera e, depois, por meio do intemperismo, o CO2 é retirado da atmosfera e sequestrado em rochas superficiais e sedimentos”, explica Bradford Foley, professor de geociências e um dos autores do trabalho. “O equilíbrio entre esses dois processos mantém o gás em um determinado nível na atmosfera, o que é realmente importante para saber se o clima permanece temperado e adequado à vida.”

A maioria dos vulcões da Terra se encontra na fronteira das placas tectônicas, razão pela qual os cientistas acreditavam que elas eram necessárias para a vida. Foley e Andrew Smye, professor de geociências, criaram um modelo computacional do ciclo de vida de um planeta e observaram quanto calor o clima local poderia reter e os elementos produtores de calor presentes quando um novo mundo se forma.

Depois de executar centenas de simulações, concluíram que planetas sem placas tectônicas podem manter condições de água líquida por bilhões de anos. No extremo mais alto do modelo, eles poderiam sustentar a vida por até 4 bilhões de anos, aproximadamente o tempo da Terra. Segundo os cientistas, com calor e pressão suficientemente altos, o gás carbônico pode escapar das rochas e chegar à superfície, um processo conhecido como desgaseificação.

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