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Correio Braziliense

Comer inseto melhora a flora intestinal e previne infecções, diz estudo

Os resultados mostraram que o menu que tinha a farinha de inseto como ingrediente provocou redução, no sangue, da proteína inflamatória TNF-alfa, que tem sido associada à depressão e ao câncer


postado em 08/08/2018 06:00

Mais 2 bilhões de pessoas no mundo consomem insetos regularmente(foto: Lillian SUWANRUMPHA/AFP)
Mais 2 bilhões de pessoas no mundo consomem insetos regularmente (foto: Lillian SUWANRUMPHA/AFP)
Comer insetos pode ajudar no funcionamento do seu intestino, segundo pesquisa conduzida por cientistas americanos. A equipe analisou uma série de voluntários que ingeriram os animais durante duas semanas e detectou melhora na microbiota humana e em fatores que contribuem para o combate à inflamação. Os resultados do trabalho foram publicados na revista Scientific Reports.

Valerie Stull, pesquisadora da Universidade de Wisconsin-Madison e principal autora do estudo, ressalta que mais 2 bilhões de pessoas no mundo consomem regularmente insetos e lista outros benefícios do ingrediente: esses animais são uma boa fonte de proteínas, vitaminas, minerais e gorduras saudáveis. “Há muito interesse em insetos comestíveis atualmente. Isso está ganhando força na Europa e nos Estados Unidos como uma fonte de proteína sustentável e ecológica, em comparação à pecuária tradicional”, diz, em comunicado.

Na pesquisa, 20 homens e mulheres saudáveis, com idade entre 18 e 48 anos, tomaram um café da manhã tradicional ou um café da manhã contendo 25g de farinha de grilo, que foi adicionada à massa de muffins e bebidas batidas. Os pesquisadores coletaram amostras de sangue e de fezes dos voluntários e analisaram respostas a questionários gastrintestinais em três etapas da pesquisa: no começo, durante a intervenção alimentar e depois dela.

Os resultados mostraram que o menu que tinha a farinha de inseto como ingrediente provocou redução, no sangue, da proteína inflamatória TNF-alfa, que tem sido associada à depressão e ao câncer. Além disso, houve aumento na abundância de bactérias benéficas ao intestino, como a Bifidobacterium animalis, uma cepa que tem sido associada à melhora da função gastrointestinal. “Com o que sabemos sobre a microbiota intestinal e sua relação com a saúde humana, é importante estabelecer novos alimentos que possam afetar as populações microbianas do intestino. Descobrimos que o consumo de grilos pode realmente oferecer benefícios além da nutrição”, detalha a autora.

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O escorpião e animais parecidos também podem evitar infecções(foto: Ronaldo Schemdt/AFP -10/6/18)
O escorpião e animais parecidos também podem evitar infecções (foto: Ronaldo Schemdt/AFP -10/6/18)
Ela explica que grilos e outros insetos contêm fibras, como a quitina, que são diferentes das encontradas em frutas e vegetais e promovem o crescimento de bactérias benéficas. Apesar dos resultados, Stull destaca que mais investigações são necessárias para reforçar a conclusão do estudo. “Esse pequeno trabalho mostra que é um tema que vale a pena ser aprofundado, já que os insetos também são uma fonte de alimento extremamente sustentável”, diz.

Quanto a resistências alimentares, a pesquisadora recorre a uma experiência própria como estratégia de convencimento. “Eu estava em uma viagem com meus pais na América Central quando me serviram formigas fritas. Lembro-me do nojo inicial, mas, quando eu coloquei uma formiga na boca, fiquei realmente surpresa porque ela tinha gosto de comida. E foi bom!”, conta.

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