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Correio Braziliense

Retina pode indicar sinais de surgimento da doença de Parkinson

Cientistas observaram que o afinamento da retina está ligado à perda da dopamina - neurotransmissor que ajuda a controlar os movimentos do corpo


postado em 17/08/2018 06:00

Afinamento da retina está ligada ao neurotransmissor dos movimentos (foto: Insiya Syed/Reuters)
Afinamento da retina está ligada ao neurotransmissor dos movimentos (foto: Insiya Syed/Reuters)

Os olhos podem revelar um sinal precoce da doença de Parkinson, segundo cientistas coreanos. Eles observaram que o afinamento da retina está ligado à perda da dopamina — neurotransmissor que ajuda a controlar os movimentos do corpo. Dessa forma, acreditam, o monitoramento da membrana ocular poderia ajudar na detecção do mal degenerativo.

“Nosso estudo é o primeiro a mostrar uma ligação entre o afinamento da retina e um sinal conhecido da progressão da doença— a perda de células cerebrais que produzem dopamina”, ressalta, em comunicado, Jee-Young Lee, pesquisador da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, e um dos autores do estudo, divulgado na revista especializada Neurology.

Lee e sua equipe analisaram 49 pessoas com idade média de 69 anos e diagnosticadas com Parkinson em média dois anos antes do experimento. Todos os voluntários ainda não tomavam medicação para a doença. Eles foram comparados a 54 indivíduos  do grupo de controle, que não tinham Parkinson e estavam em faixa etária semelhante.

Todos os participantes foram submetidos a um exame oftalmológico completo, além de tomografias de alta resolução para tirar fotos das camadas das retinas. Além disso, 28 indivíduos com doença de Par-kinson passaram por uma captura de imagens de tomografia por emissão de pósitrons para medir a densidade de células produtoras de dopamina no cérebro.

Os investigadores observaram o enfraquecimento da retina, principalmente nas duas camadas internas da membrana, nos voluntários com Parkinson. A camada mais interna — são cinco no total — tinha espessura média de 35 micrômetros, contra 37 nos indivíduos do grupo de controle.

“Também descobrimos que, quanto mais fina a retina, maior a gravidade da doença. Essas descobertas significam que os neurologistas podem, eventualmente, usar um simples exame ocular para detectar a doença de Parkinson em estágios iniciais, antes que os problemas com o movimento se manifestem”, diz Lee.

Os autores destacam que precisam aprofundar a investigação, incluindo, por exemplo, um acompanhamento a longo prazo de participantes. “Maiores estudos são necessários para confirmar as descobertas e determinar por que o estreitamento da retina e a perda de células produtoras de dopamina estão relacionadas”, frisa Lee. “Se confirmados (os resultados), os exames de retina poderão não apenas permitir o tratamento mais precoce da doença de Parkinson, como também se transformar em monitoramento mais preciso de tratamentos que poderiam retardar a progressão da doença.”

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