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Correio Braziliense

Praticar atividades físicas leves já protege de AVC, diz estudo

Praticada ao menos quatro horas por semana, a atividade evita o acidente vascular cerebral e, em caso de ocorrência do derrame, aumenta em duas vezes a possibilidade de ele ser leve. Resultados reforçam a importância da adoção de hábitos saudáveis


postado em 20/09/2018 06:00 / atualizado em 19/09/2018 22:26

Além da caminhada, corrida e natação podem ajudar no enfrentamento ao derrame(foto: Mike Blake/Reuters - 15/11/12 )
Além da caminhada, corrida e natação podem ajudar no enfrentamento ao derrame (foto: Mike Blake/Reuters - 15/11/12 )
A prática regular de atividades físicas leves e moderadas é o suficiente para prevenir a ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC), o popular derrame. Segundo um estudo publicado na última edição da revista Neurology, o benefício é conquistado caminhando ao menos quatro horas por semana ou nadando de duas a três horas por semana, por exemplo. Ao analisar mais de 900 pessoas que sofreram com o problema de saúde, a equipe também identificou danos menos severos naqueles que praticavam exercícios com mais frequência.

“Já sabemos que o exercício físico é benéfico à saúde de várias maneiras. Nossa pesquisa sugere que, mesmo que a atividade física seja pequena, 35 minutos por dia, o impacto é grande, pois, possivelmente, essa atividade reduz a gravidade do derrame”, ressalta Katharina S. Sunnerhagen, uma das autoras do estudo e pesquisadora da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

A equipe analisou dois bancos de registros médicos e identificou 925 pessoas com idade média de 73 anos e vítimas de AVC. Os registros continham detalhes sobre a gravidade do derrame, com base em sintomas como movimentos oculares, dos braços e da face, nível de consciência e habilidades de linguagem. Dos participantes, 80% sofreram um derrame considerado leve, mas, ainda assim, uma condição que merece atenção, reforça Katharina S. Sunnerhagen. “O AVC é uma das principais causas de deficiências graves. Por isso, é importante encontrar formas de preveni-lo ou reduzir a incapacidade causada pelo AVC. Por isso, realizamos essa investigação”, justifica.

Ajuda da família

Para determinar a atividade física, foi perguntado aos participantes o quanto eles se movimentavam ou se exercitavam nos momentos de lazer antes de terem sido acometidos pelos AVC. Os questionamentos sobre duração e intensidade do exercício serviram para determinar a quantidade média de atividades físicas praticadas. Os pesquisadores também pediram aos familiares dos participantes que confirmassem os níveis de exercício informados.

A atividade física leve foi definida como caminhar pelo menos quatro horas por semana. A moderada, como exercícios mais intensos — natação, caminhada rápida ou corrida de duas a três horas por semana. Um pouco mais da metade dos participantes, 52%, relatou que era fisicamente inativo antes da ocorrência do AVC. Nesses, as sequelas da complicação vascular cerebral foram maiores.

Em contraponto, os pesquisadores identificaram que os voluntários que tinham uma rotina não sedentária — com prática de   atividade física leve a moderada — antes do derrame apresentaram duas vezes mais chances de serem acometidos por um AVC leve, se comparados aos fisicamente inativos. “Há um crescente corpo de evidências de que a atividade física pode ter um efeito protetor no cérebro, e nossa pesquisa acrescenta essa evidência”, destacou a cientista.

Os investigadores ressaltam que o estudo precisa de mais aprofundamento, mas os dados já identificados podem, segundo eles,  ajudar no desenvolvimento de estratégias de prevenção ao AVC. “Mais pesquisas são necessárias para entendermos melhor como a atividade física influencia a gravidade de um derrame, mas acreditamos que a inatividade física deve ser monitorada como um possível fator de risco para o derrame grave”, ressalta  Katharina S. Sunnerhagen.

Complicação evitável

A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) estima que 90% dos acidentes vasculares cerebrais podem ser evitados com medidas como a adoção de hábitos mais saudáveis. A complicação é considerada um dos maiores problemas de saúde pública no país, respondendo por 10% das mortes da população adulta e por 10% das internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, em 2016, 188,2 mil  pessoas foram internadas no SUS para o tratamento de AVC. No mesmo ano, foram registrados 40 mil mortes em decorrência da complicação.

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