Publicidade

Correio Braziliense

Americano, francês e canadense levam Nobel por invenções pioneiras a laser

Trio ganha o prêmio de física pela criação de técnica e instrumento aplicados nas mais diversas áreas, de laboratórios a centros cirúrgicos


postado em 03/10/2018 06:00

Ao anunciar os vencedores, comissão julgadora ressaltou que os estudos abriram espaço em campos inexplorados da pesquisa(foto: Hanna Franzen/AFP)
Ao anunciar os vencedores, comissão julgadora ressaltou que os estudos abriram espaço em campos inexplorados da pesquisa (foto: Hanna Franzen/AFP)

Um trio de cientistas recebeu o Nobel de física pelas “invenções pioneiras” usando laser. A Real Academia de Ciências de Estocolmo concedeu a honraria a dois trabalhos. O americano Arthur Ashkin receberá US$ 1,01 milhão pelo desenvolvimento de uma pinça óptica que, hoje, é muito usada em laboratórios para estudos de micro-organismos. 

A outra metade do prêmio será dividida entre o francês Gérard Mourou e a canadense Donnna Strickland, laureados por terem criado a técnica de amplificação de laser chamada chirped pulse amplification (CPA), aplicada em procedimentos médicos, como cirurgias oftalmológicas.

Durante o anúncio dos vencedores, foi destacado que os trabalhos dos pesquisadores “revolucionaram a física do laser e os instrumentos de precisão avançada que abrem campos inexplorados de pesquisa e uma variedade de aplicações industriais e médicas.”

Segundo Paulo Cesar de Morais, professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), os vencedores têm projetos muito parecidos, o que justifica a premiação conjunta. “As duas tecnologias estão ligadas. Temos o pulso de laser contínuo e o pulso da CPA, que ele liga e desliga várias vezes, para não queimar o objeto cortado”, ilustra. “São trabalhos extremamente merecedores e que podem trazer ainda mais ganhos para diferentes áreas, como a terapia celular.”

Manuseio micro
Arthur Ashkin, 96 anos, é a pessoa mais velha a receber um Nobel. Em 1987, ele colheu os primeiros frutos de sua pesquisa, quando, usando a pinça óptica, conseguiu manipular bactérias vivas sem danificá-las e as conservando em meio estéril. Desde então, o instrumento é usado para estudar micro-organismos, o interior de células e do DNA e em tecnologias de ponta para o controle de microbombas e micromotores.

 

"As pinças ópticas funcionam por meio de dois lasers que permitem a mobilidade de um objeto pequeno. Com elas, você pode pegar uma célula e analisar a mitocôndria dela, que é extremamente minúscula. Permite, por exemplo, que você corte parte do DNA e possa substituí-la por outra”, explica o professor Paulo Cesar de Morais. 

Cortes precisos

A técnica criada por Gérard Mourou, diretor do Laboratório de Óptica Aplicada (LOA) e professor da École Polytechnique, e a aluna Donnna Strickland gera os pulsos de laser mais curtos e mais intensos  já criados pela humanidade. Isso permite a perfuração e o corte de diversos materiais com extrema precisão.

Mourou, 74 anos, dedicou 40 anos da carreira aos lasers, encontrando aplicações técnicas para eles, especialmente na área médica, e também na arqueologia e na astronomia, como no estudo de  buracos negros. A expectativa é de que surjam novas aplicações da tecnologia, como para o tratamento de resíduos nucleares (reduzindo a duração de radioatividade) e a melhora de imagens médicas e do tratamento de tumores.

A dupla de Gérard Morou, Donnna Strickland, 59 anos, é professora da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e é a terceira mulher premiada com o Nobel de física (Leia Para saber mais). “Espero que as coisas possam acontecer de modo mais rápido”, ressaltou, pouco depois de saber da premiação. 

Os três premiados do ano são os vencedores de número 207, 208 e 209. Segundo a Real Academia de Ciências, o pequeno número de mulheres premiadas se deve ao longo tempo em que os laboratórios fecharam as portas para elas. “É uma pequena porcentagem (de laureadas), mas estamos adotando medidas para encorajar mais indicações de mulheres porque tememos deixar passar boas candidatas”, disse  o secretário-geral da Academia, Göran Hansson. 

Para saber mais

Valorizadas
Marie Curie recebeu o primeiro Nobel de física em 1903 por suas pesquisas em radioatividade. A primeira mulher a receber a honraria trabalhava em parceria com o marido, o professor Pierre Curie. As atividades do casal eram consideradas de alto risco por envolver a radiação. Em 1911, Curie recebeu o segundo Nobel pela descoberta de dois elementos químicos: rádio e polônio. 

A segunda mulher a ser agraciada com o prêmio internacional de física foi Maria Goeppert Maye. A germânica foi reconhecida, em 1963, devido a pesquisas sobre a estrutura do átomo, feitas em parceria com J. Hans Jensen, pesquisador da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade