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Correio Braziliense

Pesquisador de células-tronco é acusado de falsificar resultados por anos

A New England Journal of Medicine (NEJM), retirou na quarta-feira um artigo de pesquisa sobre células-tronco acusado de falsificação


postado em 18/10/2018 18:42 / atualizado em 19/10/2018 09:55

Cerca de 30 artigos do autor, o médico Piero Anversa, seriam falsos(foto: Reprodução )
Cerca de 30 artigos do autor, o médico Piero Anversa, seriam falsos (foto: Reprodução )
 
A revista médica mais prestigiada dos Estados Unidos, a New England Journal of Medicine (NEJM), retirou na quarta-feira um artigo de pesquisa sobre células-tronco acusado de falsificação. Cerca de 30 artigos do autor principal seriam falsos.

Em uma declaração extraordinária, a escola de Medicina de Harvard e o hospital afiliado Brigham and Women, em Boston, acusaram esta semana o médico Piero Anversa, ex-diretor de laboratório nessas instituições, de ter "falsificado e/ou inventado dados" publicados em 31 artigos de pesquisa.

As instituições disseram aos sites especializados STAT e Retraction Watch que solicitaram às revistas que publicaram os artigos que os retirassem. 

No mundo da pesquisa científica, uma retratação é a pior rejeição para o trabalho de um pesquisador. Significa que o artigo ou estudo apresenta sérios problemas ou erros, intencionais ou não.

Neste caso, o artigo que a NEJM se retratou havia feito muito barulho em 2011. Vários meios de comunicação, incluindo a AFP, deram cobertura. 

O doutor Anversa havia anunciado a descoberta das primeiras células-tronco para a regeneração dos pulmões, dizendo que poderiam abrir caminho para o tratamento de doenças pulmonares crônicas. 

O pesquisador anunciou várias "descobertas" sobre células-tronco cardíacas, ganhando notoriedade e poder nesse campo, o que, por sua vez, teria permitido que ele recebesse 10 milhões de dólares de recursos públicos.

Mas há vários anos aumentaram as dúvidas sobre a veracidade de seu trabalho. Outros pesquisadores não puderam replicar seus resultados. Os artigos foram corrigidos e, em 2014, haviam feito uma retratação, na revista americana American Heart Association, Circulation. Depois vieram mais 30.

"Um princípio fundamental da ciência é que todos os artigos publicados devem se basear nas práticas de pesquisa rigorosas. Quando essas práticas se desviam da norma, as consequências são graves para toda a ciência. A comunidade científica é interdependente e dependente do rigor e boa fé dos pesquisadores", acrescentaram em um comunicado Harvard e Brigham and Women.

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