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Correio Braziliense

Relatório mostra que taxa de fecundidade global cai pela metade em 67 anos

Relatório mostra que a taxa de fecundidade global caiu pela metade em 67 anos, levando países a uma crise de declínio populacional. Ao mesmo tempo, nações africanas registram aumento de gestações e de mortes por doenças infecciosas


postado em 10/11/2018 07:00

A média atual é de 2,4 filhos por mulher, mas há países em que a taxa chega a 7: o acesso à educação e a contraceptivos tem reduzido as gestações(foto: Arindam Dey/AFP - 11/7/14 )
A média atual é de 2,4 filhos por mulher, mas há países em que a taxa chega a 7: o acesso à educação e a contraceptivos tem reduzido as gestações (foto: Arindam Dey/AFP - 11/7/14 )

O mundo nunca foi tão infértil. Ao ponto de alguns países não conseguirem mais registrar nascimentos de bebês suficientes para manter sua população atual. Noventa e um deles — principalmente na Europa e no continente americano — enfrentam esse problema. E o oposto também acontece. Cento e quatro nações —  muitas delas africanas — têm taxas de fecundidade que impulsionam o aumento dos habitantes. Combinando os cenários, vivemos um período de preocupação com o envelhecimento dos povos, mas também de pouca oferta de assistência a crianças que nascem, em ritmo acelerado, em locais com baixos recursos.

Esse é um dos cenários retratados no relatório Fardo Global das Doenças 2017 (GBD, pela sigla em inglês), feito pelo Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME), da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e divulgado, ontem, na revista The Lancet. Os pesquisadores analisaram mais de 38 bilhões de estimativas de 195 países e territórios e, entre as conclusões, identificaram que, globalmente, a taxa de fecundidade mundial caiu de 4,7 filhos por mulher para 2,4 filhos entre 1950 e 2017.  Chipre, na Europa, é a nação menos fértil do planeta, com uma média de um filho por mulher. Níger, na África, ocupa o posto contrário da lista: com sete filhos.

No Brasil, o índice é de 1,8, abaixo da média mundial. Considerando que o país apresentava uma taxa de 6,2 em 1960, temos sofrido um processo de mudança das configurações de fecundidade e longevidade muito acelerado. A médica especialista em reprodução humana Carla Maria Martins da Silva acredita que o impacto das políticas públicas de saúde e o maior acesso das mulheres à educação e ao mercado de trabalho nas últimas décadas estão entre as razões desse fenômeno.

“Metade das gestações do Brasil ainda é indesejada e as taxas de gravidez na adolescência continuam altas, mas hoje há uma oferta maior e melhor de métodos contraceptivos, o que permite que as mulheres planejem a maternidade”, explica. “Além disso, a melhora no nível cultural, educacional e econômico tem feito com que elas decidam ser mães mais tarde, com 38, 40 anos. Elas terminam o doutorado, conhecem o mundo, ascendem no trabalho e, depois, pensam em ter filhos”, ilustra a também diretora do centro de reprodução humana FertilCare, em Brasília.


Envelhecimento

Para os autores do estudo, são esses fatores socioeconômicos que justificam as diferenças de fecundidade entre os 195 países estudados e também ajudam a explicar como o envelhecimento e o adoecimento dessas populações seguem a mesma lógica de disparidades. O relatório GBD mostra, por exemplo, que tanto a diarreia quanto o acidente vascular cerebral causou mais de 1 milhão de mortes em todo o mundo em 2017.

“Quanto mais ricos os países ficam, menor a taxa de mortalidade por doenças infecciosas. Por outro lado, a incapacidade decorrente da velhice está aumentando”, observa Ali Mokdad, do IHME.

Segundo o GBD, de forma global, a expectativa de vida para os homens subiu de 48 anos para 71 anos. No caso das mulheres, o avanço foi de 53 para 76 anos. O relatório também considera expectativa de vida saudável, medida por anos que uma pessoa pode esperar viver com boa saúde. Nesse caso, as três melhores taxas são de Cingapura (74,2 anos), Japão (73,1) e Espanha (72,1). As três piores de República Centro-Africana (44,8), Lesoto (47) e Sudão do Sul (50,6).

Christopher Murray, diretor do IHME, chama a atenção para importância desse indicador. “Com o aumento da expectativa de vida em muitos países, a questão para todos nós na área da política de saúde é se os anos adicionais são gastos em boa saúde ou saúde ruim. O ônus das condições incapacitantes tem sérias implicações para os sistemas de saúde. As tendências globais indicam que é necessário mais esforço para aumentar a expectativa de vida saudável.”

“A questão para todos nós na área da política de saúde é se os anos adicionais são gastos em boa saúde ou saúde ruim (…)  As tendências globais indicam que é necessário mais esforço para aumentar a expectativa de vida saudável”
Christopher Murray, diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde, responsável pelo relatório


Novo mundo

Confira algumas transformações sofridas pela população global de 1950 a 2017
» A média de filhos caiu de 4,7 para 2,4
» Níger apresenta a maior taxa: 7,1 filhos por mulher. Chipre tem a menor: um filho por mulher
» 91 países não têm nascimentos suficientes para manter sua população atual
» A população aumentou 197%, de 2,6 bilhões para 7,6 bilhões
» A expectativa de vida para os homens cresceu de 48 anos para 71 anos
» No caso das mulheres, a média subiu de 53 para 76 anos
» Em 2017, o Brasil era o sexto país com a maior população: 211,8 milhões de habitantes

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