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Correio Braziliense

OMS alerta para o desequilíbrio no consumo global de antibióticos

Excesso em alguns países e carência em outros favorece o desenvolvimento de agentes infecciosos resistentes aos medicamentos


postado em 13/11/2018 06:00

Aviso sobre cuidados com as 'superbactérias' em hospital de Brasília: mundo convive com surtos de tuberculose e outras doenças bacterianas(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 20/10/10 )
Aviso sobre cuidados com as 'superbactérias' em hospital de Brasília: mundo convive com surtos de tuberculose e outras doenças bacterianas (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 20/10/10 )
Um relatório divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta sobre o perigoso aumento do consumo de antibióticos em alguns países. Associado com o baixo consumo do mesmo tipo de medicamento em outras regiões do planeta, esse desequilíbrio favorece o desenvolvimento de “superbactérias” mortais, adverte o estudo.

O informe da OMS toma por base dados recolhidos ao longo de 2015 em 65 países e regiões. Ele mostra uma importante diferença de consumo, que vai de quatro Doses Diárias Definidas (DDDs) para cada mil habitantes por dia, no Burundi (África central), até mais de 64 DDS, na Mongólia. “Essas diferenças indicam que alguns países provavelmente consomem antibióticos demais, enquanto outros talvez não tenham acesso suficiente a esses medicamentos”, aponta a agência das Nações Unidas para a saúde global.

Descobertos nos anos 1920, os antibióticos salvaram dezenas de milhões de vidas. Lutaram de maneira eficaz contra doenças bacteriológicas, como pneumonia, tuberculose e meningite, responsáveis por milhões de mortes até então. No entanto, ao longo das décadas, as bactérias se modificaram e passaram a resistir a esses medicamentos. A OMS detectou repetidas ocasiões de emergências sanitárias em que o número de antibióticos eficazes diminuiu, no mundo todo.

No ano passado, a agência da ONU pediu aos governos dos países-membros e aos grandes grupos farmacêuticos multinacionais que criassem uma nova geração de medicamentos capazes de lutar contra as “superbactérias” ultrarresistentes.

“O consumo excessivo de antibióticos, assim como o consumo insuficiente, são as maiores causas de resistência aos (agentes) antimicrobianos”, afirmou Suzanne Hill, diretora da OMS para Medicamentos e Produtos Sanitários Essenciais, em um comunicado. “Sem antibióticos eficazes e outros antimicrobianos, perderemos nossa capacidade para tratar infecções tão estendidas como a pneumonia.”

Seleção natural

As bactérias podem se tornar resistentes quando os pacientes usam antibióticos de que não precisam, ou quando não terminam o tratamento. As bactérias resistentes ao medicamento sobrevivem e dão origem a linhagens que não poderão ser combatidas por ele, em caso de futura infecção.

Além de alertar sobre o uso indevido, a OMS também se preocupa com o escasso consumo de antibióticos. “A resistência pode se desenvolver quando os doentes não podem pagar um tratamento completo ou só têm acesso a medicamentos de qualidade inferior ou alterados”, observa o relatório.

Na Europa, o consumo médio de antibióticos é aproximadamente de 18 DDD por mil habitantes e por dia. A Turquia lidera a lista (38 DDD), com uma taxa cerca de cinco vezes suerior à registrada no último da classificação, o Azerbaijão (8 DDD).

A OMS reconhece, contudo, que seu relatório é incompleto, porque inclui apenas quatro países da África, três do Oriente Médio e seis da região da Ásia-Pacífico. Os grandes ausentes deste estudo são Estados Unidos, China e Índia.

Desde 2016, a OMS ajuda 57 países com renda média e baixa a coletar dados para criar um sistema modelo de acompanhamento do consumo de antibióticos.

“Sem antibióticos eficazes e outros antimicrobianos, perderemos nossa capacidade para tratar infecções tão estendidas como a pneumonia”
Suzanne Hill, diretora da OMS para Medicamentos e Produtos Sanitários Essenciais

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