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Correio Braziliense

Vicunha e Ecoera de olho no impacto ambiental do uso da água

Maior produtora mundial de índigos, a indústria têxtil e a consultoria de ações ambientais desenvolvem projeto para identificar o consumo hídrico na produção de jeans


postado em 11/03/2019 19:55 / atualizado em 13/03/2019 12:50

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
Preocupados com o impacto ambiental da produção têxtil, a Vicunha, maior produtora mundial de índigos e brins, e o Movimento Ecoera, consultoria com foco em ações sociais e ambientais que atua nos setores de moda, beleza e design, estão lançando o projeto Pegada Hídrica na indústria têxtil, que pretende criar uma metodologia para mensurar o consumo de água na produção de jeans. 

A proposta tem a parceria da H2O Company, especializada em promover uma gestão para a sustentabilidade, e da Organização Não Governamental (ONG) Iniciativa Verde, organização do terceiro setor que busca contribuir para a melhoria dos serviços ambientais como biodiversidade, água e qualidade do ar. 

A ideia do projeto, explicou o diretor executivo de Operações e Planejamento Estratégico da Vicunha Têxtil, Marcel Yoshimi Imaizumi, é utilizar métricas próprias para analisar o mercado da produção de uma calça jeans. “A gente não sabe se esTe número que está aí, de 15 mil litros de água para produção de um jeans é real. Isso é nos Estados Unidos. Nossa indústria não tem uma metodologia unificada”, conta. 

O objetivo, conforme Imaizumi, é promover transparência na cadeia da moda e fortalecer o setor, unindo os diversos players em prol da criação de indicadores próprios na gestão sustentável da água. “As empresas têm que ter posicionamento. A indústria têxtil é penalizada, porque existem iniciativas, mas não se conversam”, ressaltou. “Há uma necessidade de ação, vivemos num mundo de escassez. Como a Vicunha exporta e os consumidores lá fora são mais exigentes, estamos atentos à necessidade de conscientização e engajamento.”
 

 
A especialista em sustentabilidade e fundadora do Ecoera, Chiara Gadaleta, que atua nos setores de moda, beleza e design, afirmou que é preciso mapear os produtos para desmistificar quanto cada um realmente gasta de recursos hídricos. “A moda é um indicador do seu tempo, mas parou de representá-lo, porque hoje precisamos pensar em um mundo sustentável. Então, a moda tem que acompanhar isso, porque precisamos nos vestir”, afirmou.

Com a pegada hídrica, o que a Vicunha e a Ecoera pretendem é dar ferramentas de medição para que seja possível estabelecer metas de redução do consumo de água na produção têxtil. “Isso significa engajar também o varejo e o consumidor de modo a viralizar a mensagem. É uma plataforma de boas práticas”, sintetizou Chiara.

O projeto calculará o volume de água gasto em toda a sua cadeia de produção, desde o plantio do algodão até o final do processo, durante a lavagem na casa do consumidor. Além disso, o trabalho identificará a situação atual da empresa, indicando maneiras de redução e formas de compensação por meio de projetos socioambientais como recuperação do solo, conservação dos recursos hídricos, estoque de carbono e criação de corredores para a biodiversidade.

O cálculo será dividido em três indicadores de pegada hídrica: azul, verde e cinza. A pegada azul refere-se ao volume extraído das fontes de água doce, de superfícies ou subterrâneas. A pegada verde representa a água proveniente da chuva ou umidade do solo. Já a pegada hídrica cinza diz respeito ao volume de água necessário para diluir os poluentes e devolver a água tratada às redes de esgoto, de acordo com a legislação. A soma dos três indicadores confere a pegada hídrica total do produto.
 

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