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Correio Braziliense

Criador da Teoria da Subjetividade, Fernando González Rey morre aos 69 anos

O psicólogo e professor da UnB e do UniCeub sofria de câncer e faleceu na noite de terça-feira, em São Paulo


postado em 27/03/2019 14:14 / atualizado em 27/03/2019 14:50

Fernando ao lado da esposa, Albertina(foto: Arquivo pessoal)
Fernando ao lado da esposa, Albertina (foto: Arquivo pessoal)
O psicólogo Fernando Luís González Rey, professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e professor visitante da Universidade de Brasília (UnB), morreu, na noite de terça-feira (27/3), aos 69 anos, em São Paulo. González Rey sofria de câncer. Seu corpo será cremado e as cinzas levadas para Cuba, onde nasceu. Ele era casado com a professora de educação da UnB Albertina Martínez.

Doutor em psicologia pelo Instituto de Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou e doutor em ciência pelo Instituto de Psicologia da Academia de Ciências da União Soviética, González Rey desenvolveu a Teoria da Subjetividade, sob influência da teoria de desenvolvimento do russo Lev Vygotsky.

Por meio de sua teoria, defendeu uma psicologia de análise complexa, que leve em conta os aspectos emocionais, simbólicos (de entendimento) e sociais na formação dos sujeitos. No desenvolvimento dessa teoria, realizada com a publicação até o fim da vida de dezenas de livros e artigos em revistas científicas, criticou linhas da psicologia que, em sua opinião, tendem a classificar as pessoas por meio de categorias ou tipos e a ter uma visão reducionista da experiência humana.

Especialmente por meio do Programa de Mestrado em Psicologia do UniCeub e no grupo de pesquisa "A subjetividade na saúde e na educação", na UnB, foi também um forte defensor de práticas terapêuticas que valorizem o papel do paciente no processo de tratamento, em contraposição a certas práticas médicas pouco interessadas em ouvir as pessoas.

Com um forte sotaque ao falar português, o professor tinha uma presença alegre e contagiante, mostrando-se sempre disposto a ensinar e a não fugir dos debates na área acadêmica. Para a professora de psicologia do Uniceub Valéria Mori, Fernando se manifestava na produção acadêmica de acordo com o que era na relação com os outros. 

"O importante para falar do Fernando é como ele deixava a teoria viva, como ele era um pensamento vivo, brilhante. Ele era sempre muito envolvido no que ele fazia. É importante, neste momento, ressaltar o valor dele como teórico, como ser humano. Como ele era é como ele se expressava na teoria dele", diz a professora.

Professor desde os 11 anos

Nascido em Havana, em 27 de junho de 1949, González Rey se tornou professor aos 11 anos, quando se uniu, em 1961, à Campanha Nacional de Alfabetização empreendido pelo governo cubano. Depois do ensino médio, estudou psicologia na Universidade de Havana, curso concluído em 1973. Tornou-se doutor em 1979, pelo Instituto de Psicologia Geral e Pedagógica de Moscou. 

Foi ainda presidente da Sociedade de Psicólogos de Cuba (1986-1989), decano da Faculdade de Psicologia da Universidade de Havana (1995-1990) e vice-reitor desta mesma universidade (1990-1995). A chegada ao Brasil aconteceu em 1995, quando se tornou professor visitante da UnB. Foi na instituição brasiliense que começou a criar sua Teoria da Subjetividade.

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