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Correio Braziliense

Expectativa de vida no mundo aumentou 5,5 anos desde 2000

Enquanto a maioria dos habitantes de países ricos morrem de velhos, uma em cada três mortes em países mais pobres é de menores de 5 anos


postado em 04/04/2019 16:28

(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
 
A expectativa de vida no mundo aumentou 5,5 anos entre 2000 e 2016, revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira, alertando que a desigualdade na renda e no acesso aos cuidados se traduzem em uma vida mais curta para muitos.

A agência de saúde da ONU constatou, além disso, diferenças de expectativa de vida entre gêneros.

Em média, uma criança nascida em 2016 pode esperar viver 72 anos, em vez dos 66,5 de 2000, segundo o informe anual de Estatísticas de saúde mundial.

Nas Américas, a expectativa de vida passou de 73,6, em 2000, a 76,8, em 2016, apesar de que nos Estados Unidos sofreu uma redução (de 79 anos a 78,5), atribuída em parte à obesidade.

Os primeiros 16 anos do século registraram uma queda dramática nas mortes de crianças menores de cinco anos, especialmente na África subsaariana, onde houve progressos na luta contra a malária, o sarampo e outras doenças contagiosas, explicou a OMS.

As estatísticas melhoraram também graças aos avanços contra o HIV/aids, que causou estragos na maior parte da África nos anos 1990. 

Mas apesar dos progressos nos países mais pobres, a OMS destacou as diferenças significativas entre países em desenvolvimento e os já desenvolvidos.

Os habitantes de países de rendas baixas vivem em média 18 anos a menos que os de rendas altas, mostram as estatísticas.

Em Lesoto, por exemplo, as pessoas vivem em média 52 anos, longe dos 84 do Japão - o país mais longevo do mundo - e dos 83 da Espanha e da Suíça.

Enquanto a maioria dos habitantes de países ricos morrem de velhos, uma em cada três mortes em países mais pobres é de menores de 5 anos.

'Diferenças impactantes'

Pela primeira vez, a OMS separou suas estatísticas por gênero, mostrando claramente que as mulheres têm melhores perspectivas de viver uma vida longa do que os homens.

É mais provável nascer homem que mulher, e em 2019 se espera que nasçam 73 milhões de meninos e 68 milhões de meninas, segundo a OMS.

Mas, devido a uma maior fragilidade biológica e a comportamentos de maior risco, espera-se, entre os nascidos em 2016, que os meninos vivam 69,8 anos e as meninas, 74,2.

Uma das razões pelas quais as mulheres parecem viver mais é que tendem a usar melhor os recursos de saúde.

Assim, por exemplo, nos países com epidemias de HIV, as mulheres tendem mais a se submeter a exames e a acessar terapias antirretrovirais.

Ainda assim, nos países com escassos serviços de saúde, uma de cada 41 mulheres morrem por causas maternas, em comparação com uma entre 3.300 em países de altos rendimentos.

Há "diferenças impactantes", disse à imprensa a responsável de dados e análises da OMS, Samira Asma.

Em conjunto, as estatísticas demonstram que a expectativa de vida aumentou na maioria dos países, com saltos significativos em lugares como a Eritreia, onde se espera que as pessoas vivam 22 anos a mais que os 43 de 2000.

Na Síria, após oito anos de guerra, a expectativa de vida caiu uma década, dos 73 anos de 2000 para 63,8 em 2016.

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