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Correio Braziliense

Astrônomos descobrem um terceiro planeta no sistema Kepler-47

Com duas estrelas hospedeiras, Kepler-47 já era suficientemente intrigante. Mas, agora, ele se torna ainda mais curioso, graças à descoberta de um terceiro planeta, maior que os dois que se conhecia, e com temperatura bem inferior às registradas pelos vizinhos


postado em 17/04/2019 06:00 / atualizado em 17/04/2019 06:28

A identificação do novo corpo celeste (ao centro) faz de Kepler-47 o único sistema multiplanetário com dois sóis de que se tem notícia(foto: NASA/JPLCaltech/T. Pyle/Divulgação)
A identificação do novo corpo celeste (ao centro) faz de Kepler-47 o único sistema multiplanetário com dois sóis de que se tem notícia (foto: NASA/JPLCaltech/T. Pyle/Divulgação)

Astrônomos descobriram um terceiro planeta no sistema Kepler-47, garantindo a ele o título de mais interessante dos mundos de estrelas binárias. A partir de dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), uma equipe de pesquisadores liderada por astrônomos da Universidade Estadual de San Diego detectou o novo corpo celeste, cujo tamanho é algo entre Netuno e Saturno, orbitando entre dois planetas anteriormente conhecidos.

Com seus três planetas dando voltas por dois sóis, o Kepler-47 é o único sistema circumbinar (que orbita duas, em vez de uma estrela) multiplanetário conhecido. Os componentes do sistema foram detectados pelo chamado método de trânsito. Se o plano orbital do planeta estiver alinhado por cima, visto da Terra, ele pode passar na frente das estrelas hospedeiras, levando a uma diminuição mensurável no brilho observado. O novo planeta, apelidado de Kepler-47d, não foi detectado mais cedo devido a sinais de trânsito fracos.

Como é comum com os circumbinários, o alinhamento dos planos orbitais muda com o tempo. Nesse caso, a órbita do planeta médio ficou mais alinhada, proporcionando um sinal de trânsito mais forte. Os pesquisadores ficaram surpresos com o tamanho e a localização do novo planeta. O Kepler-47d é o maior dos três que compõem o sistema. William Welsh, astrônomo da Universidade de San Diego e coautor do estudo, publicado no Astronomical Journal, conta que ele e Jerome Orosz, principal autor do artigo, esperavam que quaisquer planetas adicionais no Kepler-47 estivessem em órbita exterior aos anteriormente conhecidos. “Certamente não esperávamos que fosse o maior planeta do sistema. Isso foi quase chocante”, afirma.

Densidade

Com a descoberta do novo planeta, é possível uma compreensão muito melhor de Kepler-47, disseram os pesquisadores. Por exemplo, agora eles sabem que os planetas desse sistema circumbinariano têm densidade muito baixa — menor que a de Saturno, o menos denso do Sistema Solar. Embora essa característica não seja tão incomum para os exoplanetas do tipo Júpiter quente (massa comparável à de Júpiter, porém orbitando muito próximo à estrela), é raro para aqueles de temperatura moderada. Em Kepler-47d, os termômetros marcam aproximadamente 10ºC e, em Kepler-47c, 32ºC. O planeta mais próximo à estrela, que se trata do menor corpo circumbinário conhecido, é um muito mais quente: 169ºC.

Os planetas interno, médio e externo do sistema Kelper-47 são 3,1, 7,0 e 4,7 vezes o tamanho da Terra, e levam 49, 87 e 303 dias, respectivamente, para orbitar em torno de seus sóis. As estrelas se orbitam em apenas 7,45 dias; uma delas é semelhante ao nosso Sol, enquanto a outra tem um terço da massa do astro. Todo o sistema é compacto e caberia dentro da órbita da Terra. Ele fica a aproximadamente 3.340 anos-luz de distância, na direção da constelação de Cygnus.

“Esse trabalho se baseia em uma das descobertas mais interessantes do Kepler: os sistemas de planetas densamente compactados e de baixa densidade são extremamente comuns em nossa galáxia”, diz Jonathan Fortney, astrônomo da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que não fez parte do estudo. “Kepler47 mostra que qualquer que seja o processo que forma esses planetas é comum a sistemas planetários de estrela única e circumbinária.”

Exoplaneta

O satélite de pesquisa de exoplanetas Tess, da Nasa, descobriu seu primeiro planeta fora do Sistema Solar, com tamanho semelhante ao da Terra. Chamado HD 21749c, trata-se do menor mundo já identificado pelo instrumento. Em um artigo publicado na revista Astrophysical Journal Letters, uma equipe de astrônomos liderada pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) relata que o novo planeta orbita a estrela HD 21749, que está muito próxima de nós, a apenas 52 anos-luz da Terra. Ela também hospeda um segundo planeta — HD 21749b — um “sub-Netuno”, quente e com a órbita mais longa, de 36 dias.

O novo planeta, do tamanho da Terra, é provavelmente um mundo rochoso, porém inabitável, que circula sua estrela em apenas 7,8 dias — uma órbita que geraria temperaturas superficiais no planeta de até 430ºC. Segundo os astrônomos, a descoberta de HD 21749c é, contudo, emocionante, pois demonstra a capacidade do Tess de detectar pequenos planetas em torno de estrelas próximas.

Em um futuro próximo, a equipe espera que a sonda revele corpos mais frios, com condições adequadas à organização da vida. “Para as estrelas que estão muito próximas e muito brilhantes, esperávamos encontrar até uma dúzia de planetas do tamanho da Terra”, diz a principal autora do estudo, Diana Dragomir, do Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT. “Esse planeta define o caminho para encontrarmos mundos potencialmente habitáveis.”


Setores

Tess tem caçado planetas além do nosso Sistema Solar desde que foi lançado, em 18 de abril de 2018. O satélite é uma missão projetada para observar quase todo o céu, sobrepondo-se, mês a mês, longos trechos, ou setores, enquanto orbita a Terra. À medida que circula nosso próprio planeta, o satélite concentra suas quatro câmeras para monitorar as estrelas mais brilhantes do céu, procurando por quedas periódicas na luz das estrelas que possam indicar a presença de um exoplaneta enquanto passa na frente de sua estrela hospedeira.

Ao longo de sua missão de dois anos, espera-se que ele identifique para a comunidade astronômica pelo menos 50 planetas pequenos e rochosos, além de calcular estimativas de suas massas. Até o momento, a missão descobriu 10 planetas menores que Netuno, incluindo o Pi Men b, um planeta com o dobro do tamanho da Terra, com uma órbita de seis dias em torno de sua estrela; LHS 3844b, um mundo quente e rochoso que é ligeiramente maior que a Terra e circunda sua estrela em 11 horas, e TOI 125b ec — dois “sub-Netunos” que orbitam a mesma estrela, ambos dentro de uma semana. Todos os quatro foram identificados a partir de dados obtidos durante os dois primeiros setores de observação de Tess — uma boa indicação, segundo o artigo, de que “muitos mais podem ser encontrados”.

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