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Correio Braziliense

Implante cerebral transformará pensamentos em palavras

Cientistas inventaram um decodificador para reproduzir palavras sintetizadas por computador, a partir dos sinais cerebrais que ativam os movimentos correspondentes na boca


postado em 24/04/2019 16:33

(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
Um grupo de pesquisadores está trabalhando em um decodificador que transformará os sinais cerebrais em palavras e poderá permitir que as vítimas de derrame cerebral ou paralisia falem, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira. 

Esses cientistas inventaram um decodificador para reproduzir palavras sintetizadas por computador, a partir dos sinais cerebrais que ativam os movimentos correspondentes na boca. 

Apresentada na revista Nature, esta técnica está em estágio inicial e sua implementação levará tempo. 

No entanto, os cientistas esperam que algum dia beneficie pacientes que sabem falar mas que perderam a capacidade.

"Nosso objetivo a longo prazo é criar uma técnica para restabelecer a comunicação em pacientes que não podem falar, seja por problemas neurológicos como derrames cerebrais ou doenças como certos tipos de câncer", disse à AFP um dos autores do estudo, Edward Chang, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF). 

Já existem dispositivos que ajudam esses pacientes a compor palavras letra por letra por meio de movimentos dos olhos ou da cabeça. 

Mas ainda que melhorem a qualidade de vida, estes sistemas são lentos e servem para produzir cerca de 10 palavras por minuto, em vez das 150 em condições normais. 

Daí a ideia dos cientistas de buscar diretamente as palavras na fonte, o cérebro.

Eles realizaram um experimento com cinco pacientes tratados para epilepsia, em cujos cérebros colocaram eletrodos. 

Os pesquisadores primeiro pediram a estes pacientes que lessem em voz alta algumas orações pré-definidas. O objetivo era identificar, graças aos eletrodos, os sinais cerebrais responsáveis pela articulação das palavras. 

Depois, decodificaram estes sinais associando os movimentos necessários para a pronúncia, nas mandíbulas, na língua, nos lábios e na laringe. Finalmente, sobre a base destes movimentos, reproduziram tais orações por computador. 

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