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Correio Braziliense

Nova droga promete acabar com a dor da enxaqueca em duas horas

Chamada rimegepant, a droga funciona sobre a CGRP, uma pequena proteína ligada à enxaqueca


postado em 11/07/2019 06:00

(foto: Thiago Fagundes/CB/D.A Press)
(foto: Thiago Fagundes/CB/D.A Press)
Existem pacientes que não respondem aos medicamentos disponíveis contra a enxaqueca. As drogas têm ainda outros limitadores: a possibilidade de fortes efeitos colaterais e a proibição de prescrição para indivíduos com doença cardiovascular, já que constringem os vasos sanguíneos. Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein e do Sistema de Saúde Montefiore, ambos nos Estados Unidos, desenvolvem um tratamento alternativo.

Em testes de segurança e eficácia com humanos, a nova substância teve resultado promissor. “Pela primeira vez em quase três décadas, as pessoas com enxaqueca não ajudadas por medicamentos existentes podem ter uma nova opção para encontrar alívio durante os ataques”, comemoram, em comunicado, Richard B. Lipton e Edwin S. Lowe, autores do estudo, divulgado na edição de hoje do New England Journal of Medicine.

Chamada rimegepant, a droga funciona sobre a CGRP, uma pequena proteína ligada à enxaqueca. Durante as crises, o CGRP é liberado, resultando em dor. A nova substância consegue bloquear a via CGRP, aliviando os sintomas da enxaqueca. Diferentemente, os triptanos, medicamentos hoje prescritos, interrompem a cefaleia aguda estimulando os receptores de serotonina, responsáveis por reduzir a inflamação e contrair os vasos sanguíneos.

Diário

Os testes com o rimegepant foram conduzidos com mais de 1.000 homens e mulheres atendidos em 49 centros médicos americanos. Todos foram orientados a se medicar durante um ataque de enxaqueca, sendo que metade ingeriu a nova droga e o outro grupo, um placebo. Antes de tomar o comprimido e nas 48 horas depois, os participantes preencheram um diário eletrônico sobre dor e outros sintomas mais incômodos, como intolerância à luz e náusea.

A análise das informações mostrou que, duas horas depois de tomar os comprimidos, 19,6% dos pacientes que ingeriram rimegepant relataram estar livres de dor, em comparação a 12% do grupo placebo. Quanto ao desaparecimento dos outros sintomas da enxaqueca, os índices foram de 37,6%  e 25,2%, respectivamente.

Os efeitos colaterais foram mínimos, com náuseas e infecções do trato urinário. “Esses resultados confirmam que o mecanismo de ação do rimegepant efetivamente alivia a dor e os sintomas associados aos ataques agudos de enxaqueca (…)  Estou satisfeito em ver seus benefícios confirmados em um ensaio clínico em grande escala”, frisa Richard B. Lipton. A droga aguarda aprovação de uso pela Food and Drug Administration, a agência de vigilância e saúde americana.

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