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Correio Braziliense

Índia acelera na corrida espacial e envia sonda à Lua

No mês em que se comemoram 50 anos de exploração da Lua, sonda não tripulada é lançada com sucesso em direção ao satélite da Terra, aonde deve chegar em setembro. A missão pretende desvendar mistérios como a origem e a evolução lunar


postado em 23/07/2019 06:00 / atualizado em 23/07/2019 15:28

Lançamento do GSLV MkIII-M1 no Centro Espacial Satish Dhawan: se tudo der certo, Índia será o quarto país a pousar um dispositivo no solo lunar(foto: Arun Sankar/AFP)
Lançamento do GSLV MkIII-M1 no Centro Espacial Satish Dhawan: se tudo der certo, Índia será o quarto país a pousar um dispositivo no solo lunar (foto: Arun Sankar/AFP)
 
Cinquenta anos depois da chegada dos norte-americanos à Lua, a Índia começou a jornada até o satélite da Terra. Às 14h43 locais (5h43 de Brasília), o foguete GSLV MkIII-M1 lançou ontem a sonda espacial Chandrayaan-2 na órbita do planeta, depois de 20 horas de contagem regressiva. O clima no Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, era de ansiedade e apreensão, pois a primeira tentativa de lançamento, em 15 de julho, foi abortada devido a um problema técnico.

Na segunda-feira (22/7), sob os aplausos da população indiana, que passou o dia comemorando o feito no Twitter, o veículo lançador, correspondente a um prédio de 14 andares, cumpriu sua missão. Agora, Chandrayaan-2 — sonda lunar, em sânscrito — encontra-se em algum lugar entre o ponto mais próximo da Terra — 169,7km da atmosfera do planeta — e o mais distante, a 45.475km.

Segundo a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (Isro), depois de 16 minutos e 14 segundos de decolagem, o foguete injetou a nave em uma órbita terrestre elíptica. Conforme o planejado, logo após Chandrayaan-2 se separar do veículo lançador, o painel solar da sonda começou a funcionar e o controle dela passou a ser assumido em terra firme.

A Índia entrou na corrida espacial ainda na década de 1960 e, aos poucos, avançou nos níveis de ambição. O primeiro feito da Isro foi o satélite Aryabhata, lançado pela ex-União Soviética em 1975. Em 2008, a agência foi além e enviou Chandrayaan-1 à órbita lunar. A primeira missão do país ao satélite resultou em mais de 3,4 mil órbitas, necessárias para a preparação de um atlas tridimensional do lado mais próximo e do mais distante da Lua. Mas o principal feito de Chandrayaan-1 foi descobrir a presença de moléculas de hidroxila (OH) e de água na superfície lunar.

Gelo


Outros importantes resultados da missão foram a inferência da existência de depósitos de gelo no subsolo de crateras em sombra permanente da Lua, a validação da hipótese do Oceano Magma Lunar, que tenta explicar a origem do satélite como resultado de uma colisão com uma jovem Terra; detecção de reflexão de 20% de prótons solares, detecção de presença dos elementos Mg, Al, Si, Ca na superfície lunar e a construção de modelos tridimensionais de muitas crateras lunares foram alguns dos outros resultados obtidos pela missão.

Agora, a missão de Chandrayaan-2 é ainda mais ousada. A sonda não vai apenas orbitar a Lua dentro de um veículo; ela vai pousar perto do polo sul do satélite para realizar experimentos científicos. Com isso, a Índia se tornará o quarto país a colocar um dispositivo sobre o solo lunar, depois da União Soviética, dos Estados Unidos e da China. Em abril, uma sonda israelense fracassou em seu pouso.

Em um comunicado à imprensa, o presidente da Isro, K. Sivan, ressaltou o caráter inédito da missão. “É um dia histórico para a ciência espacial e a tecnologia na Índia. Estou extremamente feliz de anunciar que o GSVL MkIII-M1 injetou, com sucesso, Chandrayaan-2 em órbita a mais de 6 mil quilômetros do que pensávamos.”

De acordo com ele, nos próximos dias, será realizada uma série de manobras usando o sistema de propulsão a bordo do Chandrayaan-2. Isso elevará a órbita da espaçonave em etapas e, em seguida, a colocará na trajetória da transferência lunar, para permitir que a espaçonave viaje para a vizinhança do satélite. A expectativa é de que isso ocorra em 7 de setembro.

O objetivo da missão é desenvolver e demonstrar tecnologias para futuras missões lunares ponta a ponta, incluindo alunissagem suave e movimentação na superfície do satélite. Do ponto de vista da ciência, Sivan diz que “a missão visa expandir ainda mais o nosso conhecimento sobre a Lua por meio de um estudo detalhado de sua topografia, mineralogia, composição química de superfície, características termofísicas e atmosfera, levando a uma melhor compreensão da sua origem e evolução”.

 

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