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Correio Braziliense

Novos estudos comprovam que gases do efeito estufa causam aquecimento

As análises da revista Nature também constatam a precisão dos trabalhos de simulação


postado em 25/07/2019 06:00 / atualizado em 25/07/2019 00:19

A queima de carvão é uma das atividades mais poluentes: cientistas consideraram dados de todas as regiões continentais(foto: David Gray/Reuters - 9/1/08)
A queima de carvão é uma das atividades mais poluentes: cientistas consideraram dados de todas as regiões continentais (foto: David Gray/Reuters - 9/1/08)
A Terra nunca esteve tão quente quanto nos dois últimos milênios, e as principais causas disso são as emissões de gases de efeito estufa decorrentes de atividades humanas. O alerta é de dois estudos publicados na revista Nature. Os pesquisadores também descobriram que partículas de erupções vulcânicas transportadas pelo ar foram as principais responsáveis por vários breves episódios de resfriamento global antes da Revolução Industrial de meados do século 19.

A nova reconstrução da temperatura está, em grande parte, de acordo com simulações computacionais de modelos climáticos apresentadas anteriormente. Os pesquisadores encontraram evidências de que as variações de temperatura nos últimos 2 mil anos foram causadas por fatores identificáveis, como aerossóis vulcânicos e gases de efeito estufa, assim como por flutuações aleatórias. Em uma coletiva de imprensa, eles afirmaram que isso sugere que os atuais modelos climáticos representam com precisão as contribuições de várias influências sobre a mudança climática global e são capazes de prever corretamente o futuro do aquecimento do planeta.

A equipe de pesquisa usou sete métodos estatísticos diferentes para realizar a reconstrução. “Nossas simulações se assemelham com reconstituições realizadas há mais de duas décadas”, disse Michael Evans, pesquisador da Universidade de Maryland e copresidente do projeto Mudanças Globais Passadas (Pages), que reúne 19 cientistas de diversas instituições. “Mas a nova reconstrução de temperatura melhora os esforços anteriores, usando o banco de dados mais detalhado e abrangente já montado”, ressalta.

Registros públicos

O conjunto de dados compilados pelos pesquisadores da Pages inclui quase 700 registros públicos, disponíveis separadamente de fontes que contêm indicadores de temperaturas passadas, como anéis de árvores, fósseis de corais e sedimentos marinhos e lacustres. Os dados referem-se a todas as regiões continentais e às principais bacias oceânicas da Terra.

Ao comparar as novas reconstruções com as simulações existentes, a equipe conseguiu determinar as contribuições relativas de várias influências sobre as temperaturas globais ao longo do tempo. Isso inclui influências naturais, como o efeito de resfriamento de partículas ejetadas por erupções vulcânicas, bem como a influência humana, causada pelas emissões de gases de efeito estufa.

Os resultados sugerem que a atividade vulcânica foi responsável por variações antes de 1850. Depois disso, os gases de efeito estufa se tornaram a influência dominante no clima global. Ao remover essas contribuições da análise, os pesquisadores também identificaram a magnitude das mudanças aleatórias, que não podem ser atribuídas a uma causa específica.

Modelos realistas

Mais uma vez, as reconstruções combinaram com simulações anteriores. “Isso nos deixa mais confiantes de que nossas reconstruções são realistas. Por sua vez, os modelos climáticos estão simulando o aquecimento do passado e do futuro com fidelidade”, acrescentou Evans.

De acordo com ele, os modelos climáticos podem prever com precisão as mudanças de temperatura nas próximas décadas. “No entanto, essas simulações dependem muito das escolhas que os humanos farão, o que é muito difícil de prever”, acrescentou.  “A incerteza na influência das atividades humanas não é tão grande quando se considera algumas décadas. Mas a longo prazo, as escolhas que fazemos como  fontes de energia e quanto carbono elas  emitem realmente importam.”

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