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Correio Braziliense

Ministério da Saúde lança campanha de incentivo à amamentação

O ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, anunciou a habilitação de 39 unidades hospitalares como Hospital Amigo da Criança, que segundo a pasta, tem por objetivo incrementar a atenção à saúde da gestante e do bebê no país


postado em 31/07/2019 10:58 / atualizado em 31/07/2019 10:59

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O ministério da saúde lançou, na manhã desta quarta-feira (31), a campanha anual de incentivo à amamentação. A ação acontece durante a solenidade de abertura da Semana Mundial de Amamentação 2019 (AMAM), que ocorre anualmente, na primeira semana de agosto.

O ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, anunciou a habilitação de 39 unidades hospitalares como Hospital Amigo da Criança, que segundo a pasta, tem por objetivo incrementar a atenção à saúde da gestante e do bebê no país.

Das 39, 31 terão a habilitação renovada. As outras oito unidades serão habilitadas pela primeira vez. Com a medida, o Ministério repassará R$ 2 milhões ao ano para custeio dessa unidades. Segundo o ministério, atualmente, o Brasil conta com 317 hospitais Amigos da Criança.

O Hospital Amigo da Criança é um selo de qualidade conferido pelo Ministério da Saúde aos hospitais que devem respeitar critérios como os 10 passos para o sucesso do aleitamento materno; cumprimento da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para lactantes e crianças de primeira infância, bicos, chupetas e mamadeiras, além de cuidado respeitoso e humanizado à mulher durante o pré-parto, parto e o pós parto, garantir livre acesso à mãe e ao pai na unidade de saúde e a permanência deles junto ao recém-nascido, nas primeiras 24 horas.

Mandetta anunciou a certificação de duas novas Salas de Apoio à Amamentação no Distrito Federal: Uma na Fiocruz Brasília e uma no Ministério da Cidadania. Os dois serviços poderão atender 800 mulheres nas unidades.

Segundo a pasta, o aleitamento materno é a melhor fonte de nutrição infantil, sendo capaz de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos. Protege a criança de doenças como diarréia, infecções respiratórias e alergias. Além disso, reduz o risco de a criança desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes, sobrepeso e obesidade na vida adulta.

O ministério recomenda que as crianças sejam amamentadas até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até o 6º mês de vida. Segundo a OMS e Unicef, cerca de seis milhões de crianças são salvas a cada ano com o aumento das taxas de amamentação exclusiva até o 6º mês de vida.

Um estudo de 2016, mostrou que 823 mil mortes de crianças e de 20 mil de mães poderiam ser evitadas a cada ano com a ampliação da amamentação.

A pasta ressalta ainda que o país possui a maior e mais complexa rede de banco de leite do mundo, com 225 bancos de leite e 217 postos de coleta. Em 2018, 159,7 mil mulheres doaram mais de 187 mil litros de leite, beneficiando 161 mil bebês prematuros. 

Para o presidente do departamento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciano Santiago, não existe campanha de saúde que dê mais retorno que a amamentação. “A cada US$ 1,00 que se investe em amamentação, o retorno é de US$ 3, 00. É algo sério e muda a vida do país. Estudos mostram que apenas por promoção de aleitamento nos primeiros 6 meses, se conseguíssemos que 99% das mulheres amamentarem, bilhões de dólares seriam economizados em saúde”, apontou.

A representante da Unicef, Florence Bauer, destacou que a questão do aleitamento precisa ser vista como estratégia contra o sobrepeso e a obesidade. “É uma das formas de prevenção”.

A representante da OPAS - OMS no Brasil, Socorro Gros afirmou ainda que uma de cada duas crianças começam a ser amamentadas na primeira hora de vida, quatro de cada dez são amamentadas exclusivamente até os seis meses de idades e só três a cada dez continuam a ser amamentadas até os dois anos de vida. “Precisa de um incentivo diferente, trabalhar para retirar os obstáculos de amamentação. O primeira é a comercialização desmedida de substitutos de leite materno. A segunda são os próprios profissionais de saúde que oferecem substitutos e a terceira é o ambiente de trabalho, pois apesar da legislação que protege a amamentação no ambiente de trabalho, não existem condições propícias e as mães são desestimuladas. A amamentação não é responsabilidade exclusiva da mãe, mas de todos nós”, concluiu.

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