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Correio Braziliense

Tsunami originado perto de Portugal já fez vítimas no Brasil, conta geólogo

Em livro sobre terremoto que destruiu Lisboa em 1755, o geólogo Alberto Veloso narra que o tremor gerou no Brasil ondas de 6m, que mataram um casal


postado em 05/08/2019 15:59

Gravura de autor desconhecido retrata terremoto que destruiu Lisboa em 1755(foto: Domínio público)
Gravura de autor desconhecido retrata terremoto que destruiu Lisboa em 1755 (foto: Domínio público)
Já desmentida pela Universidade de Brasília (UnB), a informação de que havia risco de um tsunami atingir a Região Nordeste, nesta segunda feira (5/8), agitou as redes sociais e se tornou motivo de memes na internet. Entretanto, no passado, em meados do século 18, grandes ondas provocadas por um terremoto causaram ao menos duas mortes no litoral brasileiro.

O episódio é contado no livro Tremeu a Europa e o Brasil também (Chiado Editora), do geólogo Alberto Veloso, que reconstitui o grande terremoto que devastou Lisboa em 1º de novembro de 1755. O tremor originado no mar provocou a morte de 30 mil a 40 mil pessoas na capital portuguesa, que à época tinha 250 mil habitantes e era uma das mais importantes da Europa, ao lado de Londres, Paris e Nápoles.

Além da tragédia em Lisboa, conta Veloso, um tsunami se formou e percorreu o Atlântico, fazendo com que ondas violentas chegassem ao Brasil. A partir de pesquisas no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa e diversos cálculos, o geólogo chegou à conclusão de que  o tsunami cruzou o oceano a uma velocidade média de 800km/h e, depois de mais ou menos sete horas, ondas estimadas em até 6m atingiram a costa brasileira, lavando cerca de mil quilômetros de praias das capitanias de Paraíba, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro — embora existam dúvidas sobre a última.

Foi nesses documentos que Veloso descobriu o relato sobre um casal que acabou morto pelo mar feroz e as confirmações de que os estragos chegaram a terras tupiniquins. Em um dos arquivos, o coronel Luiz Antonio de Lemos Brito, então comandante da capitania da Paraíba, afirmava: "Parece sem dúvida que essa parte da terra se abalou quando tremeu a outra". 

Tsunami no Amazonas

Na obra, o geólogo e historiador descreve também alguns terremotos que atingiram diretamente o Brasil. "A gente acha que não existe terremoto aqui, e, realmente, há poucos. Mas os que tivemos foram significativos e deixaram estragos. Não estamos livres deles", disse Veloso ao Correio, na época do lançamento do livro, em 2015

A incidência de tremores é menor no Brasil porque, ao contrário do Chile e do Japão, por exemplo, o país não está sobre a junção de placas tectônicas, cujo choque desencadeia abalos e tsunamis. Mas há casos. Um dos maiores, com 7 de magnitude estimada, ocorreu há 300 anos na Amazônia. Alberto Veloso chegou até ele investigando o diário do padre alemão Samuel Fritz, jesuíta da Companhia de Jesus que atuava no lado espanhol do território, nas proximidades do Equador. Ao retornar de um tratamento médico em Belém do Pará, o sacerdote encontrou, na região que hoje é Manaus, um cenário de destruição.

Indígenas e padres relatavam assustados um tremor que provocou um tsunami no Rio Amazonas. O padre luxemburguês João Fellipe Batendorf, que vivia do lado português das terras, constatou o mesmo. Como não existiam centros de monitoramento sismológico na época, o evento não foi oficialmente registrado como o maior do Brasil. Esse posto cabe a um abalo ocorrido em 1955, em João Câmara (RN). Na ocasião, foram vários tremores espaçados, ao longo de sete anos. No total, mais de 50 mil abalos danificaram 4 mil construções e deixaram 26 mil desabrigados.

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