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Correio Braziliense

Estudo sugere que peso dentro do padrão na velhice pode evitar o Alzheimer

Revisão de pesquisas mostra que idosos com índice de massa corporal acima ou muito abaixo do indicado estão mais vulneráveis a doenças neurodegenerativas


postado em 10/08/2019 07:00

Diretrizes globais recomendam o controle do peso e a prática de atividades físicas em prol do bem-estar na velhice(foto: Yuya Shino/Reuters - 15/9/14 )
Diretrizes globais recomendam o controle do peso e a prática de atividades físicas em prol do bem-estar na velhice (foto: Yuya Shino/Reuters - 15/9/14 )
Manter a silhueta durante a velhice pode ajudar a prevenir Alzheimer e outras demências. Uma revisão de estudos incluindo dados de mais de 40 mil habitantes do Reino Unido mostrou que evitar ganho de peso é uma estratégia contra um problema que deve atingir mais de 152 milhões de pessoas até 2050, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pesquisas anteriores sugeriram que o excesso de peso corporal aumenta o risco de demência. Porém, um estudo europeu de 2015 surpreendeu a comunidade científica ao constatar o contrário. Isso intrigou os estudiosos do tema, já que o sobrepeso e a obesidade estão normalmente ligados a uma série de problemas de saúde. Liderado pela Universidade de Wolverhampton, o novo trabalho se propôs a investigar se um índice de massa corporal elevado na idade avançada reduz ou aumenta o risco de demência incidente — ou seja, os casos recém-diagnosticados na velhice após a exposição a certos fatores de risco.

Para tanto, os pesquisadores fizeram a revisão de 16 estudos prévios, incluindo 38.219 participantes e 4.479 casos de demência registrados nos Estados Unidos, na Suécia, na Itália, na Finlândia, na Austrália, na Dinamarca, na França e no Japão, com períodos de acompanhamento variando de três a 18 anos. A equipe também analisou dados de um novo trabalho chinês, ainda não publicado, que mostrou que os homens mais velhos com sobrepeso ou obesos apresentaram risco aumentado de demência, embora o mesmo resultado não tenha sido encontrado entre as mulheres com as mesmas características.

As descobertas da revisão, publicadas no Journal of Alzheimer’s Disease, não forneceram evidências que sustentem o paradoxo de que ser obeso e ter excesso de peso tem um efeito protetor contra a demência. Também não houve associação entre o aumento da circunferência da cintura e um risco reduzido do problema. Os pesquisadores concluíram que, ao contrário do que mostrou a pesquisa de 2015, o peso acima do ideal não é fator de proteção para a demência, mas pode, de fato, aumentar o risco de Alzheimer na idade avançada.

Cintura

Os resultados estão de acordo com pesquisas anteriores. Um grande estudo coreano publicado no início do ano, no BMJ Open, descobriu que, entre 67.219 participantes com idade entre 60 e 79 anos, o ganho ou a perda de peso parecia ser um fator de risco significativo para a demência. Já um trabalho divulgado há duas semanas pela Universidade de Miami concluiu que ter um maior índice de massa corporal (IMC) e uma circunferência da cintura elevada após os 60 anos associa-se a um enfraquecimento de conexões neuronais, o que pode causar problemas de memória, entre outros abalos cognitivos.

Principal autor do estudo da Universidade de Wolverhampton, Ruoling Chen destaca que, juntas, as evidências sugerem que se deve evitar ganhar ou perder peso (no caso dos indivíduos com IMC saudável) na velhice. “Não há provas que apoiem a recomendação de aumento do peso corporal na velhice com o objetivo de prevenir demência. No entanto, devemos prestar mais atenção aos idosos que perdem peso, provavelmente devido a doenças crônicas. Controlar o peso corporal para estar dentro da faixa normal pode prevenir a demência”, afirma. “Como recomendado pelas diretrizes globais atuais, é necessário manter o peso corporal normal ao longo da vida e criar estratégias de prevenção e intervenção de saúde pública para combater o sobrepeso e a obesidade na velhice.”

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