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Correio Braziliense

Artigo: o adeus em tempo real

Reinventar-se segue como a parte mais difícil e interessante da vida. De repente, tudo está certo, fluindo, crescendo... Daqui a pouco, o sentido se perde e é preciso buscar o novo


postado em 11/08/2019 16:32 / atualizado em 11/08/2019 16:47

"É preciso dizer que pessoas, ao contrário do que se diz por aí, jamais podem ser substituídas" (foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)


A vida é uma constante despedida. Estamos sempre e naturalmente dizendo adeus. A uma pessoa, a um lugar, a uma fase, a um trabalho, a instantes de vida... Às vezes, estamos simplesmente nos despedindo de um jeito de ver as coisas, de uma inocência qualquer, de uma ideia fixa. O caminho é longo para se chegar onde quer e, ao longo dele, é natural perder, aqui e ali, um amor, um amigo, uma palavra, um sonho, até a razão. Envolve dor e sofrimento, mas faz parte da caminhada e é bom que seja assim.

É preciso dizer que pessoas, ao contrário do que se diz por aí, jamais podem ser substituídas. Para mim, são e serão únicas. As lembranças de cada um que passou pela minha jornada são vivas. Todo o resto, se acomoda, fica quietinho. A grande vantagem das despedidas é abrir espaço para o novo. Tenho visto a beleza — e também o sofrimento que isso envolve — de transformações pessoais importantes. Gente que arrisca uma nova vida, muda a rotina, aposta todas as fichas no desconhecido, paga para ver mesmo diante de tantas incertezas. É bonito de ver — e, às vezes, um bocado triste de sentir.

Reinventar-se segue como a parte mais difícil e interessante da vida. De repente, tudo está certo, fluindo, crescendo... Daqui a pouco, o sentido se perde e é preciso buscar o novo. Por vezes, é preciso deixar se levar pela paixão. Para mim, a notícia é paixão. O diferente, o inesperado, o inusitado de todo dia são a minha porção de energia diária. Talvez, por isso, meus dias e noites são de renovação, a despeito de todas as preocupações, frustrações e desânimos comuns a qualquer mortal.

A novidade do mundo é um antídoto poderoso contra a depressão. Creio nisso porque é a única forma de seguir em frente: não viveríamos tanto e com tamanha intensidade se não fosse a possibilidade de enxergar o diferente logo ali, ao dobrar a esquina.

Vez em quando, durante as minhas caminhadas, sozinha com os meus pensamentos, eu sou capaz de ver um Brasil diverso do que temos hoje. Olho as pessoas indo e vindo em busca de novas oportunidades e acredito que elas estão, nesse movimento, pavimentando novos caminhos não só para elas, mas para todos que vêm atrás. Sou do tipo que resiste, insiste e aposta que tudo pode mudar — de um instante para o outro.

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