Ciência e Saúde

Novas tecnologias podem reduzir emissões de CO2 por prédios em até 80%

Estudo mostra que benefício é alcançado com investimento em tecnologias de construção, como uso de janelas dinâmicas e selagem de paredes, e o emprego de sistemas que otimizem serviços de iluminação e controle de temperatura

Paloma Oliveto
postado em 20/08/2019 06:00
 -  (foto: Johannes Eisele/AFP)
- (foto: Johannes Eisele/AFP)
Pesquisadores analisaram construções norte-americanas, mas alegam que a recomendação vale para outros paísesO uso de energia em edifícios ; desde o resfriamento ao aquecimento de casa até a manutenção das luzes do escritório ; é responsável por mais de um terço de todas as emissões de dióxido de carbono (CO2) nos Estados Unidos. Reduzi-las em 80% até 2050 contribuiria, portanto, de forma significativa para combater as alterações climáticas. Um novo modelo desenvolvido por pesquisadores de dois laboratórios nacionais norte-americanos sugere que atingir essa meta exigirá a instalação de tecnologias de construção altamente eficientes, novas abordagens operacionais e eletrificação de sistemas prediais que consomem combustíveis fósseis, além de aumentos na participação de fontes de energia renováveis no fornecimento energético.

;Os edifícios são uma alavanca substancial para tentar reduzir as emissões totais de CO2;, diz Jared Langevin, pesquisador do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley e principal autor do estudo, publicado na revista Joule. Ele afirma que, embora direcionada à realidade norte-americana, as lições da pesquisa são universais. ;Como o setor predial usa energia de várias maneiras e é responsável por uma parcela tão grande da demanda por eletricidade, os edifícios podem ajudar a acelerar a integração econômica de fontes limpas de eletricidade, além de contribuir para reduções diretas de emissões;, sustenta.

Para estimar a magnitude das possíveis reduções de emissões de CO2 do setor ao longo de várias décadas, os pesquisadores consideraram três tipos de medidas de eficiência ; tecnologias com maior desempenho energético do que alternativas comumente usadas. Incluem-se, no primeiro grupo tecnológico, janelas dinâmicas, selagem de paredes, sensoriamento e controle de estratégias que melhoram a eficiência das operações de construção, e conversão do aquecimento a combustível por equipamentos que usem água. Eles também avaliaram como a incorporação de fontes de energia renováveis na rede elétrica, paralela aos outros esforços, mudaria as estimativas de redução de emissões do setor predial.

;Medidas que melhorem a eficiência da demanda de energia dos edifícios precisam fazer parte da solução do problema dos gases de efeito estufa;, alega Langevin. ;Chegar perto da meta de 80% de redução de emissões requer reduções simultâneas na demanda de energia predial, a eletrificação dessa demanda e a penetração substancial de fontes renováveis de eletricidade até 2050. Além disso, o setor pode suportar o custo da integração efetiva de fontes renováveis variáveis, oferecendo flexibilidade em seus padrões operacionais em resposta às necessidades da rede elétrica.;

Envelope

Analisando os resultados de medidas específicas de eficiência energética, os pesquisadores identificaram dois caminhos particularmente promissores para reduzir as emissões. O primeiro envolve reformas e upgrades nas tecnologias de paredes, janelas, telhados e isolamento ; o chamado ;envelope; do prédio ;, abordagens que também podem aumentar o conforto e a qualidade de vida de quem mora ou trabalha no edifício. O segundo se concentra em softwares inteligentes que são capazes de otimizar quando, onde e em que grau os serviços de aquecimento, refrigeração, iluminação e ventilação devem ser fornecidos.

Os pesquisadores ressaltam que adotar essas estratégias depende de formuladores de políticas públicas, fabricantes e fornecedores, profissionais da construção e da prestação de serviços, e dos consumidores. ;Regulamentos e incentivos que apoiam a venda de opções tecnológicas mais eficientes e menos intensivas em carbono, pesquisa e desenvolvimento em estágio inicial que impulsionam avanços no desenvolvimento tecnológico, marketing agressivo dessas alternativas uma vez desenvolvidas, treinamento para empreiteiros locais encarregados da instalação de tecnologia e a disposição dos consumidores em considerar a compra de novas opções no mercado são necessários para alcançar a meta de redução de emissões de 80% até 2050;, diz Langevin.

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