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Correio Braziliense CORREIO DEBATE

Índices de obesidade em adultos está diretamente relacionado à infância

Prevenção na infância é essencial, pois há pouca chance de crianças e adolescentes se livrarem da doença depois


postado em 27/08/2019 07:00 / atualizado em 27/08/2019 10:34

''Os processados competem com a alimentação saudável. Esse gosto é formado desde pequeno e é por isso que a gente bate tanto na questão da importância de cuidar da alimentação na primeira infância,'' diz Cristina Albuquerque, chefe da área de Saúde e HIV da Unicef (foto: CB/D.A Press )
''Os processados competem com a alimentação saudável. Esse gosto é formado desde pequeno e é por isso que a gente bate tanto na questão da importância de cuidar da alimentação na primeira infância,'' diz Cristina Albuquerque, chefe da área de Saúde e HIV da Unicef (foto: CB/D.A Press )


Os altos índices de obesidade vistos em adultos podem ser relacionados diretamente com a obesidade infantil. Dados revelam que os primeiros dois anos de vida são essenciais para a conquista de uma alimentação saudável do indivíduo no futuro. Logo, os números expostos por pesquisadores mostram que há pouca chance de crianças já obesas se livrarem da doença na vida adulta. Por isso, o olhar para a obesidade infantil tem caráter preventivo e se mostra cada vez mais necessário na sociedade atual.

Um dos números apresentados pela chefe da área de Saúde e HIV do Fundo das Nações Unidas para Infância  (Unicef), Cristina Albuquerque, mostra a relação da obesidade na infância e adolescência com a vida adulta. De acordo com os dados, crianças obesas aos dois anos têm 75% de chance de permanecerem assim aos 35 anos. A taxa é ainda mais alta quando se olha para os adolescentes. Jovens obesos aos 19 anos têm 89% de chance de terem excesso de peso na vida adulta. O dado se torna ainda mais alarmante quando se observa o crescimento da obesidade infantil.

Em 2017, estima-se que 38,3 milhões de crianças menores de 5 anos em todo o mundo estavam com excesso de peso. A estimativa mostra que houve um aumento de 8 milhões desde 2000. Os números são de um estudo feito em 2018 por um grupo de trabalho, que envolve Unicef, o World Bank e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cristina Albuquerque acredita que um dos motivos do crescimento observado pode ser a introdução do consumo de alimentos ultraprocessados cada vez mais cedo.

Tendência

Cerca de 32,3% de crianças menores de dois anos consumiram refrigerantes ou sucos artificiais e 60,8% já comeram biscoitos, bolachas ou bolos. “Os processados  competem com a alimentação saudável. Esse gosto é formado desde pequeno e é por isso que a gente bate tanto na questão da importância de cuidar da alimentação na primeira infância, principalmente até os dois anos. É nesse período que os hábitos alimentares começam a ser formados e o ser humano tem uma tendência por alimentos adocicados. Se você começa a dar coisas adoçadas desde bebê, a criança não vai querer comer uma fruta”, explica Cristina.

(foto: Thiago Fagundes/CB/D.A Press )
(foto: Thiago Fagundes/CB/D.A Press )
Para ela, o problema passa pela introdução da alimentação saudável nas escolas. “O Brasil está devendo projetos para fornecer uma alimentação saudável nas escolas. Não há uma legislação a nível nacional para a promoção de alimentação saudável dentro desse ambiente”, explica. No entanto, há casos de sucesso de leis estaduais que conseguiram reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados.

Em Santa Catarina, por exemplo, desde 2001, as escolas, sejam da rede pública ou privada, não podem vender balas, pirulitos, refrigerantes, sucos artificiais, salgadinhos industrializados e salgados fritos. “Depois de cinco anos da implementação da lei municipal, já foi possível ver avanços e 100% das escolas já não comercializavam salgados fritos e industrializados, por exemplo”, diz.

No Distrito Federal, a Lei das Cantinas foi feita em 2013, mas só passou a vigorar em fevereiro de 2016. A legislação estabelece que as cantinas de escolas devem vender alimentos saudáveis.

Futuro

Caso o cenário da obesidade infantil se mantenha em crescimento, as estimativas para 2025 são alarmantes. No Brasil, 11,5 milhões de crianças serão obesas. Atreladas à obesidade, as doenças como diabetes e pressão arterial elevada também crescerão entre crianças e jovens. Em 2025, 1 milhão de jovens terão hipertensão e 150 mil vão desenvolver diabetes tipo 2.

“A gente continua vendo restaurantes de fast food com embalagens especiais para crianças e dando brinquedos. As crianças e adolescentes são extremamente suscetíveis e sensíveis ao marketing. Enquanto isso não mudar, fica muito difícil evoluir”, completa a especialista.

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