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Correio Braziliense

Cientistas criam embalagem que mantém comida por até três anos

Solução desenvolvida por cientistas americanos poderá beneficiar militares em missões terrestres e astronautas em viagens espaciais. Em testes, o macarrão com queijo pronto para consumo teve a durabilidade triplicada e não perdeu o sabor


postado em 28/09/2019 07:00

 

Melhor proteção permitirá que a comida receba nutrientes indispensáveis a profissionais em longas missões, como os soldados(foto: REUTERS/Fabrizio Bensch)
Melhor proteção permitirá que a comida receba nutrientes indispensáveis a profissionais em longas missões, como os soldados (foto: REUTERS/Fabrizio Bensch)
Se os seres humanos vão a Marte, precisam de comida. Especificamente de alimentos que não se estraguem durante a longa viagem entre planetas e enquanto estiverem na superfície. Agora, cientistas da Universidade Estadual de Washington (WSU), nos Estados Unidos, desenvolveram uma maneira de triplicar a vida útil do macarrão com queijo pronto para consumo, beneficiando desde militares em missões terrestres a astronautas em viagens interestelares.


Atualmente, as embalagens plásticas podem manter os alimentos em segurança à temperatura ambiente por até 12 meses. Os pesquisadores da WSU demonstraram, em um artigo publicado na revista Food and Bioprocess Technology, que poderiam manter macarrão com queijo pronto para consumo seguro e comestível, além de incluir nutrientes selecionados, por até três anos.

“Precisamos de uma barreira melhor para manter o oxigênio longe dos alimentos e proporcionar uma vida útil mais longa, semelhante à folha de alumínio e às bolsas plastificadas”, diz Shyam Sablani, líder da equipe que trabalha para criar uma melhor película protetora. “Sempre pensamos em desenvolver um produto que possa ir a Marte, mas com tecnologia que também beneficie os consumidores aqui na Terra”

Além de ter em mente as viagens espaciais, os pesquisadores estão trabalhando em estreita colaboração com o Exército dos Estados Unidos, que deseja melhorar suas refeições prontas para comer (MREs, sigla em inglês) para os alimentos permanecerem saborosos e saudáveis por três anos. Nos experimentos de prova conduzidos pelo Exército, o macarrão com queijo, testado recentemente após três anos de armazenamento, foi considerado tão bom quanto a versão anterior, que foi armazenada por nove meses.

A comida em si é esterilizada usando um processo chamado sistema de esterilização térmica assistida por micro-ondas (MATS), desenvolvido por Juming Tang, da WSU. Os alimentos devem ser esterilizados em plástico, pois metais, como latas, não pode ir ao micro-ondas, enquanto o vidro é frágil demais, além de muito pesado para uso militar ou espacial.

A adição de um revestimento de óxido de metal a uma camada do filme plástico aumenta significativamente a quantidade de tempo que o oxigênio e outros gases levam para romper a barreira. Essa tecnologia existe há quase 10 anos, mas surgem rachaduras quando o recipiente é submetido a processos de esterilização. Isso acaba comprometendo o prazo de validade dos alimentos, disse Shyam Sablani, professor do Departamento de Engenharia de Sistemas Biológicos da WSU. Os pesquisadores vêm trabalhando com empresas de embalagem para desenvolver novos filmes que mantêm o oxigênio e o vapor por mais tempo.

Os filmes de embalagem são compostos por várias camadas de diferentes plásticos. Essas camadas finas, de poucos mícrons, têm finalidades diferentes, como barreira, vedação, resistência mecânica e impressão. “Estamos empolgados com o fato de uma camada excessiva de revestimento orgânico sobre óxido de metal ter ajudado a proteger contra rachaduras microscópicas”, diz Shyam Sablani. “Várias camadas de revestimento de óxido de metal também aumentaram o desempenho da barreira. Nossa pesquisa orientou o desenvolvimento de novas embalagens de alta barreira.”

Em campo

Para garantir que o processo funcione completamente, o Exército planeja fazer testes em condições de campo. Portanto, essas novas MREs serão armazenadas por mais tempo e, depois, enviadas aos soldados destacados para experimentá-las. “Se eles gostarem do sabor dos alimentos embalados, será o teste final dos novos filmes”, adianta o pesquisador.

A equipe não vai esperar os três anos para testar os resultados de cada novo filme. Manter os alimentos embalados em uma incubadora a 100 graus Fahrenheit acelera rapidamente as alterações na qualidade dos alimentos a uma taxa consistente. Seis meses na incubadora equivalem a três anos em temperatura ambiente, enquanto nove meses equivalem a quase cinco anos, explica Sablani.

Para viagens espaciais, não é possível fazer testes de campo que simulem o percurso a Marte. Mas Sablani planeja entrar em contato com a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) para apresentar os filmes da WSU. “A Nasa conhece nosso trabalho, mas, agora, estamos chegando ao ponto em que podemos conversar com eles com um produto com qualidade comprovada”, diz. “Esperamos encontrar uma maneira de testar esses produtos na Estação Espacial Internacional para mostrar que os alimentos são seguros após o armazenamento a longo prazo.”

A Nasa exigirá armazenamento de até cinco anos para alimentos, e é nisso que a equipe está trabalhando agora. Atualmente, eles estão envelhecendo outras receitas que serão testadas quando atingirem a marca de meia década.

Reprodução após retorno à Terra 

Ratos machos que passaram mais de um mês na Estação Espacial Internacional (ISS) conseguiram reproduzir em seu retorno à Terra, segundo um estudo realizado por cientistas japoneses. Até agora, algumas indicações apontavam que passar um tempo no espaço poderia afetar negativamente o sistema reprodutivo de mamíferos machos. O esperma de ratos, congelado por nove meses a bordo da ISS, foi alterado pela radiação e o número de espermatozoides dos roedores que passaram 13 dias em órbita registrou queda. Agora, a nova pesquisa examinou 12 animais que passaram 35 dias a bordo da ISS em gaiolas. Alguns deles experimentaram falta de gravidade e outros foram colocados em gaiolas projetadas para lhes oferecer gravidade artificial. Na volta, o esperma desses roedores foi usado para fertilizar os óvulos de fêmeas que não estiveram no espaço e a reprodução se deu sem problemas. “Concluímos que uma curta estadia no espaço sideral não causa danos fisiológicos aos órgãos reprodutores masculinos”, observou o estudo publicado no Scientific Reports

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