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Correio Braziliense

Nasa realiza primeira caminhada espacial 100% feminina

Operação protagonizada por Christina Koch e Jessica Meir é a 221ª do tipo e a primeira a ser conduzida exclusivamente por mulheres. As astronautas saíram da Estação Espacial Internacional para trocar uma unidade de recarga de bateria


postado em 20/10/2019 06:00

Christina Koch trabalha no reparo do controlador de energia: quarta atividade extraveicular(foto: Nasa/Divulgação)
Christina Koch trabalha no reparo do controlador de energia: quarta atividade extraveicular (foto: Nasa/Divulgação)
O reparo de um controlador de energia do lado de fora da Estação Espacial Internacional (ISS) se tornou uma operação histórica da Agência Espacial Americana, a Nasa. As astronautas Christina Koch e Jessica Meir conduziram o trabalho e protagonizaram a primeira caminhada espacial 100% feminina. Foi a de 221ª missão do tipo, a primeira ocorreu em 1965, e, até este sábado (19/10), mulheres haviam participado de operação em parceria com homens. Ainda assim, em menor quantidade, Koch e Meir são a 14ª e a 15ª mulheres a viver a experiência.


Koch, engenheira elétrica, lidera Meir, doutora em biologia marinha que realizou a primeira caminhada espacial, também conhecida como atividade extraveicular. Koch completou a quarta experiência do tipo. Ela deve permanecer na estação até fevereiro de 2020 e, desse forma, se tornar a astronauta que mais tempo ficou no espaço, superando Peggy Whitson, que ficou fora do planeta Terra por 288 dias.

A dupla da missão histórica pertence à turma de 2013 da Nasa, a primeira em que metade dos alunos era mulheres. O primeiro passeio espacial feito exclusivamente por mulheres estava marcado para 29 de março, mas a Nasa teve que cancelar a operação quatro dias antes porque não tinha os trajes do tamanho adequado para a dupla de astronautas. O projeto era que Christina Koch e Anne McClain saíssem juntas da ISS para instalar baterias de íons de lítio e, assim, melhorar o fornecimento de energia do laboratório. Como só havia um traje espacial de tamanho médio, Koch participou da missão com o colega Nick Hague.

Christina Koch (esquerda) e Jessica Meir: dupla de astronautas em missão histórica(foto: Jessica Meir/Twitter)
Christina Koch (esquerda) e Jessica Meir: dupla de astronautas em missão histórica (foto: Jessica Meir/Twitter)

A manobra de ontem faz parte de um processo mais amplo, em andamento, para substituir as baterias antigas de níquel-hidrogênio por novas unidades de íons de lítio, que têm maior capacidade de armazenamento. A ISS converte a luz solar em energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos, mas, durante sua órbita, gasta muito tempo sem receber luz diretamente. É nesses períodos que tira vantagem da energia armazenada nas baterias.

A unidade de recarga de bateria que foi trocada ontem pelas astronautas parou de funcionar no fim de semana passado. “(O problema) estava impedindo o aumento da capacidade de energia do laboratório em órbita. Essa tarefa deve ser concluída antes de continuar uma série de caminhadas espaciais para instalar novas baterias”, explica, em nota, Nilufar Ramji, da Nasa.

O comandante Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia (ESA), e o engenheiro de voo da Nas Andrew Morgan, ajudaram as caminhantes espaciais. Parmitano foi responsável por controlar o braço de robótica Canadarm2, e Morgan, por  fornecer suporte de câmara e traje espacial.

Críticas

A Nasa recebeu críticas de várias frentes após a fracassada missão feminina anunciada para março. Segundo os críticos, a não realização da operação representou uma evidência do sexismo implícito na cultura da agência espacial americana. Ken Bowersox, vice-administrador interino da Nasa, disse esperar que uma caminhada espacial conduzida apenas por mulheres logo se torne questão de rotina.

Questionado sobre por que demorou tanto tempo para organizar uma atividade extraveicular completamente feminina, Bowersox disse que a altura maior dos homens era uma vantagem.  “Homens muito altos são os que conseguiram fazer o trabalho porque podiam alcançar e fazer as coisas com mais facilidade”, justificou. “Mas também incorporamos mulheres às equipes por causa de seu cérebro. Trazem habilidades diferentes, pensam de maneira diferente.”

Em 1983, Sally Ride se tornou a primeira mulher americana a viajar para o espaço, como membro da sétima missão do ônibus espacial. Hoje, o número de astronautas mulheres de origem americana excede o de qualquer outro país. Mas quem ostenta o recorde de ter sido a primeira mulher no espaço é a cosmonauta Valentina Tereshkova, da antiga União Soviética, em 1963. Ela  foi seguida, em 1982, pela compatriota Svetlana Savitskaya, que viria a ser a primeira mulher a realizar uma caminhada espacial dois anos depois.

Os Estados Unidos desenvolvem uma missão, chamada Artemis, com a qual pretendem retornar à Lua depois de mais de 50 anos. Mulheres farão parte da equipe de astronautas. A data prevista para o primeiro desses novos pousos tripulados na Lua é o ano de 2024. “Queremos garantir que o espaço esteja disponível para todas as pessoas, e essa missão (de ontem) é outro marco nessa evolução”, afirmou o administrador da Nasa Jim Bridenstine.



 

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