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Correio Braziliense

Sinais vacilantes: para especialistas, os avanços na COP25 foram discretos

Na semana decisiva da COP25, em Madri, especialistas preveem avanços tímidos. Avaliam que os grandes emissores de gases de efeito estufa devem adiar para a conferência de Glasgow, no próximo ano, o anúncio de suas estratégias de redução de metas


postado em 10/12/2019 06:00

Grupo de indígenas brasileiros realiza manifestação em Madri e cobra ações das autoridades mundiais para conter os avanços das mudanças climáticas(foto: AFP / CRISTINA QUICLER)
Grupo de indígenas brasileiros realiza manifestação em Madri e cobra ações das autoridades mundiais para conter os avanços das mudanças climáticas (foto: AFP / CRISTINA QUICLER)
A despeito dos alertas de especialistas, da divulgação de dados alarmantes e dos protestos mundo afora cobrando ações contra as mudanças climáticas, a COP25 entrou em sua reta final sem sinais contundentes de que virá uma resposta efetiva por parte dos governos para enfrentar a situação. Na verdade, analistas consideram fracas as demonstrações. “A paralisia dos governos é incrivelmente perturbadora”, definiu Jennifer Morgan, diretora do Greenpeace Internacional, para quem a segunda semana da conferência começou com uma enorme lacuna entre as expectativas dos defensores do clima e as intenções dos países mais emissores de gases de efeito estufa.

Nenhum dos grandes emissores deve fazer um anúncio significativo sobre suas ambições este ano: dos Estados Unidos, que decidiram se retirar do Acordo de Paris no próximo ano, à China, Índia, Japão e mesmo a União Europeia, que decretou emergência climática no início da conferência de Madri. O pacto celebrado na capital francesa, que visa limitar o aquecimento a um máximo de +2° C, prevê que os americanos revisem seus compromissos de redução de emissões somente em 2020, enquanto a maioria se concentra na próxima conferência, que acontecerá em Glasgow, na Escócia.

A quatro dias do encerramento da reunião, “os sinais não são bons”, reconheceu Alden Meyer, da Union for Concerned Scientists, observadora de longa data das negociações climáticas. Para ela, China, Índia e Japão, “se decidirem agir, será mais próximo da COP26”. Quanto ao bloco europeu, medidas poderão ser adotadas em Bruxelas, numa cúpula que será realizada na quinta e na sexta-feira.

“O grande evento será a COP26, mas não podemos esperar mais”, opinou, por sua vez, a jovem ativista climática Greta Thunberg, que chegou a Madri na sexta-feira passada e arrastou milhares de manifestantes pelas ruas da capital espanhola.

Pequenos

Enquanto isso, cerca de 70 países comprometidos em aumentar suas ambições de reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2020 se reúnem nesta quarta-feira (11/12) em Madri. Novos membros poderiam se unir a essa aliança, que representa apenas 8% das emissões globais, mas nenhum grande emissor, prevê Alden Meyer.

Nesse contexto, muitos contam com o engajamento do setor privado. Um grupo de mais de 600 investidores institucionais que administram cerca de US$ 37 trilhões pediu nesta segunda-feira (9/12) o fim do carvão e mais ambições da comunidade internacional. Entretanto, para as regiões na linha de frente dos impactos já devastadores das mudanças climáticas, tudo isso está longe de ser suficiente.

“Algumas partes influentes dificultam os esforços para responder à emergência climática”, lamentou Janine Felson, representante do grupo dos 44 Estados insulares. “Vimos recuos de nossos parceiros desenvolvidos”, assinalou Sonam P. Wangdi, que preside o grupo dos Países Menos Avançados.

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