Ciência e Saúde

Novo coronavírus sobrevive até 72 horas em algumas superfícies

No Brasil, a procura por álcool, seja líquido ou em gel, fez com que os estoques de farmácias e drogarias acabassem rápido

Israel Medeiros*
postado em 24/03/2020 06:00

No Brasil, a procura por álcool, seja líquido ou em gel, fez com que os estoques de farmácias e drogarias acabassem rápidoO novo coronavírus pode sobreviver até 72 horas em algumas superfícies. É o que diz artigo publicado na revista The New England Journal of Medicine. No Brasil, a procura por álcool, seja líquido ou em gel, fez com que os estoques de farmácias e drogarias acabassem rápido. Quando encontrado, o item de proteção é vendido por preços acima do convencional. O temor do contágio tem levado pessoas sem sintomas a utilizar máscaras, mesmo quando a recomendação oficial é apenas para os grupos de risco ; idosos, diabéticos e hipertensos. Mas por quanto tempo o coronavírus sobrevive nas superfícies?

O estudo detalha que o vírus permaneceu vivo suspenso no ar durante toda a experiência, que durou 3 horas. Mas o período de sobrevida pode ser maior. Os testes foram feitos em aerossóis e diversas superfícies. Todas as medições experimentais são médias obtidas após três repetições de cada experimento. ;O Sars-CoV-2 foi mais estável em plástico e aço inoxidável do que em cobre e papelão, e vírus viáveis foram detectados até 72 horas após a aplicação nessas superfícies. [...] O vírus pode permanecer viável e infeccioso em aerossóis por horas e em superfícies por dias;, diz o artigo.


Segundo o protocolo de controle de infecção do Hospital de Clínicas Universidade do Triângulo Mineiro, a transmissão por aerossóis acontece através de partículas eliminadas durante a respiração, fala, tosse ou espirro. Quando ressecadas, ficam suspensas no ar, podendo permanecer por horas, e atingir outras áreas, sendo levadas por correntes de ar. Já a transmissão por gotículas ocorre através do contato com o paciente, expelidas pela fala, tosse, espirros e aspiração de secreções.
Ana Helena Germoglio, infectologista do Hospital Brasília, afirma que os resultados do estudo norte-americano foram obtidos em um ambiente hospitalar, que por padrão é esterilizado. ;Um vírus numa secreção expelida através de tosse ou espirro pode ficar em algumas superfícies por até nove horas. Mas isso pode ser diminuído quando a gente higieniza o local;, explica ela.


Segundo a médica, na rua, a contaminação pode acontecer a uma distância de até um metro e meio de distância. Ela ressalta, no entanto, que o maior risco está nas superfícies. ;A maior contaminação ocorre quando há contato com superfícies contaminadas, como maçaneta, cadeira, mesa, e, depois, contato da mão no rosto, olhos, boca. Quanto mais rugosa a superfície, mais difícil é a higienização;.

Dicas

Em razão da dificuldade para encontrar álcool em gel para limpeza, a infectologista dá dicas para evitar a propagação do vírus em superfícies de forma prática. ;Para economizar, é possível fazer uma solução em casa: uma medida de água sanitária para nove medidas de água. Tem o mesmo efeito do álcool na limpeza de superfícies. É importante sair de casa só para o essencial. Distanciamento social nessas próximas semanas será crucial para ver como o Brasil vai se comportar. Segregar as pessoas que estão resfriadas em um ambiente separado, manter as boas condições, realizar atividades físicas em casa e evitar o pânico;, destaca.


O uso de elevadores, que possuem pouca corrente de ar e geralmente são compartilhados, também merece alerta. ;Se eu moro num condomínio e preciso utilizar um elevador, é melhor que só as pessoas que moram juntas o utilizem. A gente tem pouco fluxo de ar num elevador, um espirro e todo mundo ali pega uma doença. O ideal é a gente andar no elevador com quem a gente sabe por onde andou, pessoas que moram conosco. Se tiver uma família entrando no elevador, é legal esperar que eles terminem o uso para só depois entrar;, afirma Ana Helena.


A pandemia trouxe consciência de higiene à população. É o que acredita a profissional, que cita o médico húngaro Ignaz Philipp Semmelweis como exemplo. Ele foi um pioneiro dos procedimentos antissépticos. ;No século 19, ele era considerado louco. Desde aquela época, ele já falava em higienização. Hoje, é considerado o pai da higienização hospitalar. Depois que passarmos por essa crise, poderemos tirar dela uma lição: a higienização é uma coisa boa e importante;, finaliza.

*Estagiários sob a supervisão de Andreia Castro

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