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Correio Braziliense

Covid-19 parece mais perigosa para crianças do que se pensava, diz estudo

Pesquisa feita no Canadá e nos EUA mostra que crianças e jovens de fato sofrem menos que adultos e idosos com o coronavírus. Isso porém, não significa ausência de perigo


postado em 11/05/2020 19:57 / atualizado em 11/05/2020 19:58

(foto: PIERO CRUCIATTI/AFP))
(foto: PIERO CRUCIATTI/AFP))
Estudo publicado na revista especializada JAMA Pediatrics, nesta segunda-feira (11/5), aponta que crianças, adolescentes e jovens, embora menos ameaçados pela covid-19 do que adultos de meia idade e idosos, correm um risco maior de complicações em decorrência do coronavírus do que se pensava anteriormente.

"A ideia de que a covid-19 poupa jovens é simplesmente falsa", ressaltou em comunicado à imprensa um dos autores do estudo, Lawrence C. Kleinman, chefe da Divisão de Ciências da Saúde, Qualidade e Implementação da População do Departamento de Pediatria da Escola de Medicina Rutgers Robert Wood Johnson. 

A pesquisa acompanhou 48 pacientes, que iam de recém-nascidos a  jovens de 21 anos. Todos deram entrada com covid-19 em unidades de terapia intensiva pediátrica (UTIP) nos Estados Unidos e no Canadá, entre março e abril.

Mais de 20% deles experimentaram falha de dois ou mais sistemas orgânicos e quase 40% necessitaram de tubo de respiração e ventilador. No fim do período de acompanhamento, quase 33% das crianças ainda estavam hospitalizadas, com três delas precisando do ventilador para respirar e uma para manter-se viva. Duas das crianças morreram no período de três semanas. 

Os pesquisadores ressaltam que, dos 48 pacientes, 80% tinham alguma condição subjacente, como supressão imunológica, obesidade, diabetes, convulsões ou doença pulmonar crônica. E, desses 80%, 40% dependiam de suporte tecnológico devido a atrasos no desenvolvimento ou anomalias genéticas.

 
Taxa de mortalidade 

A conclusão dos pesquisadores é de que a doença pode, sim, ter complicações em crianças, embora com riscos menores do que os observados em adultos. A taxa de mortalidade para crianças internadas em unidades de terapia intensivas é de 4,2%. Enquanto que em adultos é de 62%. 

Nesta semana, a divulgação por parte do governo de Nova York da associação do coronavírus com uma nova síndrome em crianças também emitiu um alerta para essa faixa etária. De acordo com o governador Andrew Cuomo, três crianças morreram com uma síndrome inflamatória rara que se acredita estar ligada ao novo coronavírus. 

Ao menos 404 jovens com menos de 18 anos foram internados com covid-19 em UTIs nos Estados Unidos até o momento, de acordo com dados do  Sistemas Pediátricos Virtuais, e foram confirmadas 25 mortes. 

Segundo o projeto CovKid, a estimativa é de que o número de crianças infectadas no país seja de 666 mil. 


Incidência maior no Brasil

Uma pesquisa feita pela Fiocruz mostrou que no Brasil, diferente de outros países, o coronavírus afeta mais os jovens. A incidência entre pessoas com 20 a 49 anos chega a  43% das internações. No Brasil, estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Norte e Alagoas já registraram mortes de bebês de menos de um ano pela doença.  

Segundo o infectologista pediátrico Marco Aurélio Safadi, do Sabará Hospital Infantil, apesar das novas evidências, ainda está claro que a doença é bem menos grave em crianças e jovens. Porém, que pode sim haver complicações. "As crianças são pouco afetadas. Elas evoluem bem. Há um pequeno número de casos, perto do universo de casos graves, que tem uma evolução mais séria”, explica. 

Segundo ele, os casos mais graves da doença em crianças podem apresentar vários sintomas. “Estão sendo relatados casos em crianças previamente saudáveis, que não pertencem a nenhum grupo de risco, que apresentam quadros de dor abdominal, conjuntivite, lesões de pele, que acabam evoluindo para um choque e precisam de suporte de terapia intensiva. Mas esses casos ainda estão sendo investigados”, diz. 

Por isso, o médico destaca a importância de manter as medidas de prevenção a doença. “Não é hora de relaxar. Necessidade de uma boa higiene, não sair de casa. As crianças que suportam devem usar a máscara quando for preciso sair de casa. Exceto as menores de dois anos que não conseguem utilizar”, recomenda. 

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