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Correio Braziliense

Brasileiros criam 'capacete respirador' para tratar pacientes com covid-19

O capacete dispensa o uso de tubos em pacientes, por isso é uma alternativa menos invasiva aos que necessitam de respirador e que estão internados em UTIs


postado em 13/05/2020 15:00 / atualizado em 13/05/2020 17:32

O protótipo do capacete está em sua terceira versão e deve ser concluído em maio (foto: USP/Divulgação)
O protótipo do capacete está em sua terceira versão e deve ser concluído em maio (foto: USP/Divulgação)
A pandemia do novo coronavírus está mostrando ao Brasil, mais uma vez, a importância do investimento em ciência. Diante da preocupante falta de respiradores, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) trabalha em um equipamento que pode ajudar pacientes com coronavírus que precisam de ventilação mecânica. O "capacete respirador" é uma alternativa mais suave por dispensar o uso do tubo endotraqueal, aqueles introduzidos na garganta.

 

Segundo os pesquisadores, o equipamento já está na fase final do desenvolvimento e deve ser concluído ainda em maio.“Trata-se de uma opção menos invasiva, já que em muitos casos pode ser uma alternativa para evitar a necessidade de utilização do tubo endotraqueal introduzido no paciente”, explica o professor Raul Gonzales Lima, coordenador da iniciativa.

Como funciona

Batizado de "Escafandro", por parecer a roupa usada por mergulhadores, o equipamento consiste basicamente em uma cúpula de acrílico e uma membrana de látex ajustável ao pescoço do paciente.

 

Para funcionar, dois tubos são ligados ao respirador artificial que faz com que o ar tenha concentração e pressão controlados para melhorar a oxigenação sanguínea. “Outra vantagem do equipamento é que ele impede a contaminação no ambiente de uma UTI, já que o ar é filtrado. Assim, possíveis partículas da covid-19 não serão dispersadas no ambiente hospitalar, e isso resultará em mais segurança aos que atuam diretamente com esses pacientes”, lembra o pesquisador.

 

O protótipo do capacete está em sua terceira versão. “A cada protótipo vamos aperfeiçoando e melhorando as funções. Desta vez estamos trabalhando para reduzir a complacência no equipamento, que resulta da movimentação do capacete de acordo com a entrada e saída do ar". Complacência, ele explica, é o "espaço morto instrumental que acaba armazenando o CO2 que é retirado dos pulmões". Se isso ocorrer, parte desse CO2 acaba retornando ao órgão, o que é prejudicial ao paciente que utiliza o respirador.

 

Nas próximas semanas, o equipamento passará pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e, se aprovado, seguirá para fase de testes clínicos. O equipamento utiliza materiais e infraestrutura de fabricação disponíveis no mercado nacional, o que pode facilitar a produção em larga escala no Brasil. "Há os trâmites junto à Anvisa e comissões de pesquisas, que já estão também em andamento”, conclui Gonzales.

Custo

Os pesquisadores preferem não estimar custos, mas segundo informações já veiculadas na imprensa por representantes das indústrias parceiras, o equipamento poderá custar menos de R$ 400.

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