Publicidade

Correio Braziliense

Revestimento pode manter superfícies livres de coronavírus por 90 dias

Estudo preliminar publicado nesta sexta-feira (15) sugere uma nova linha de defesa contra a covid-19


postado em 15/05/2020 21:53

(foto: MARVIN RECINOS / AFP)
(foto: MARVIN RECINOS / AFP)
Um revestimento antimicrobiano formulado especialmente pode manter as superfícies livres do coronavírus humano por até 90 dias com uma única aplicação, revelou um estudo preliminar publicado nesta sexta-feira (15), sugerindo uma nova linha de defesa contra a COVID-19.

O artigo escrito por pesquisadores da Universidade do Arizona (UA), que ainda não foi revisto por pares, revelou que a quantidade de vírus em superfícies revestidas diminuiu cerca de 90% em dez minutos e 99,9% em duas horas.

Charles Gerba, microbiologista da UA, autor sênior do estudo, disse à AFP que essa tecnologia é "o próximo avanço no controle da infecção".

"Penso que é importante sobretudo para superfícies de uso contínuo, como as de metrô e ônibus, porque ainda que você possa desinfetá-las, as próximas pessoas que entrarem vão recontaminar as superfícies", afirmou.


A equipe da UA testou um novo revestimento especialmente projetado para agir contra vírus, desenvolvido pela empresa Allied BioScience, que também financiou o estudo.

Os cientistas fizeram os testes com o coronavírus humano 229E, similar em estrutura e genética ao Sars-CoV-2, que causa a COVID-19, mas provoca sintomas brandos de gripe e, portanto, foi mais seguro para usar no experimento.

O revestimento funciona "alterando" as proteínas do vírus - torcendo-o eficazmente, alterando seu formato - e atacando sua camada protetora de gordura.

A substância incolor é borrifada nas superfícies e precisa ser reaplicada de três a quatro meses.

A tecnologia por trás do chamado revestimento auto-desinfetante existe há quase uma década e já tinha sido usada previamente em hospitais para combater a disseminação de infecções, inclusive contra bactérias resistentes a antibióticos.

Um artigo de 2019, escrito por pesquisadores da UA, demonstrou que estes revestimentos reduziram em 36% as infecções hospitalares.

Gerba disse que como professor universitário, ele e seus colegas têm discutido formas para tornar seu ambiente mais seguro para os alunos quando eles retornarem das quarentenas, e os revestimentos antimicrobianos em maçanetas e mesas seriam úteis.

"Há muitos deles sendo desenvolvidos agora mesmo, mas esperamos que estejam prontos quando começarmos a retomar as atividades", concluiu.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade