Ciência e Saúde

Brasil cria e já usa o teste mais rápido do mundo para detectar a covid-19

Presidente do Albert Einstein, Sidney Klajner explica que o exame desenvolvido pela equipe de inovação do hospital faz o sequenciamento genético do RNA do vírus

Jéssica Gotlib
postado em 23/07/2020 19:25
Teste de alta tecnologia já é usado por empresas privadas, mas precisa de insumos tecnológicos para ser replicado no setor públicoO primeiro teste genético no mundo para detecção do novo coronavírus é brasileiro. Desenvolvido no Hospital Albert Einstein, o exame faz o sequenciamento do RNA do vírus, de maneira similar ao que comumente é feito com o DNA de outras formas de vida.

A expectativa é que, vencidos alguns gargalos, o teste comece a ser utilizado de maneira ampla no país. Mas, mesmo de maneira limitada, a tecnologia já está sendo usada por empresas e entidades que planejam a retomada de atividades presenciais.
;(O teste) Nada mais é do que um sequenciamento genético do RNA, algo que não é comum de fazer;, explicou o presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner. Ele foi o convidado desta (assista abaixo).
[SAIBAMAIS]Essa técnica permite que o exame seja feito em maior escala e a um custo menor que o RT-PCR, "padrão ouro" até o momento. O teste também tem mais confiabilidade, já que não gera falso positivo em nenhuma hipótese. "Cada rodada permite fazer 1.500 testes. Permite detectar com uma especificidade de 100%, quer dizer, dando positivo, não há jeito de estar errado. E uma sensibilidade de 95% no momento adequado;, explicou o médico.

Uso dos testes

Como o Brasil ainda não testa massivamente a população, as expectativas para o uso do exame desenvolvido pelo Albert Einstein estão altas. Klajner informou que ainda há necessidades de suprir carências tecnológicas, especialmente no setor público, antes que o sequenciamento genético possa ser usado em larga escala.
"Acaba, como outros testes, ainda esbarrando na logística. Se a gente lembrar que uma das fases da coleta é a fase de cotonete, que você tem que fazer a coleta adequada em nariz e garganta, é um insumo que está sendo disputado no mundo inteiro. Então existe a dificuldade da obtenção desses insumos, especialmente de forma mais massiva", esclareceu.
Ele informou que o teste está sendo utilizado por empresas específicas que contratam os serviços do hospital para retomar as atividades presenciais. A Federação Paulista de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) são exemplos de entes privados que firmaram parceria com o Eistein pra utilizar estes exames de última geração.

Confira a entrevista completa:

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Ou ouça no formato podcast:

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