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Correio Braziliense

Método de aprendizagem disruptivo leva inovação ao universo empreendedor

André Luiz Oliveira fala em entrevista sobre esse método de aprendizagem e conta porquê ele pode ser aplicado ao universo empreendedor.


postado em 02/04/2019 09:19 / atualizado em 23/04/2019 17:26


Texto: Luana G. Silveira
 
Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e mestre em Educação pela Universidade de Brasília, André Luiz Oliveira fala sobre método de aprendizagem disruptivo.(foto: Arquivo Pessoal)
Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e mestre em Educação pela Universidade de Brasília, André Luiz Oliveira fala sobre método de aprendizagem disruptivo. (foto: Arquivo Pessoal)
 
 
As comunidades de aprendizagem são formadas por pessoas que se agrupam de maneira espontânea ou direcionada, continuadamente, e que trocam aprendizados baseados em suas experiências. Em termos práticos, esta troca pode ser acerca de um tema que dominam, se interessam ou até um problema que elas tenham em comum. A ideia é aprofundar conhecimentos e expertises a partir do que já foi vivenciado. 

O especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e mestre em Educação pela Universidade de Brasília, André Luiz Oliveira, conta que, no início dos anos 80, pesquisadores dos Estados Unidos e em alguns países sul-americanos desenvolveram as primeiras experiências com comunidades de aprendizagem, cujo foco era criar novas possibilidades de aprendizagem nas escolas, tentando romper com os modelos tradicionais de ensino. 

Já para o cenário corporativo, as comunidades de aprendizagem ganharam notoriedade no início dos anos 90, com estudos desenvolvidos por pesquisadores do Institute for Research on Learning, em Palo Alto, na Califórnia, de onde surgiu o termo “Comunidades de Prática (CoP)”, apresentado por Jean Lave e Etienne Wenger no livro Situated Learning,  em 1991. 

Na entrevista abaixo, André Luiz Oliveira explica sobre esse método de aprendizagem e conta porquê ele pode ser aplicado ao universo empreendedor:

As Comunidades de Aprendizagem surgiram a partir de qual demanda? Quais características as definem?

André Luiz - As Comunidades de Aprendizagem emergiram da necessidade de inovação nos modelos educacionais tradicionais adotados por escolas e empresas. E suas principais características são: valorização da experiência; engajamento; colaboração; participação; diálogo; busca por inovação e respeito às relações dentro de uma hierarquia horizontal.
 
 
Como se dá o aprendizado nestas comunidades?

André Luiz – Ele se dá por meio das trocas relacionais entre os indivíduos, com o compartilhamento de experiências de maneira cooperativa e recíproca. Normalmente, existem papéis de liderança dentro da comunidade, que habitualmente são assumidos pelos membros mais engajados, que além de mediar os momentos de encontro, presencial ou virtual, também são aqueles que mantém a comunidade viva, por nutrirem uma paixão pelo domínio em questão. 

As comunidades de aprendizagem são organismos vivos, que se modificam permanentemente em função do que seus membros trazem à discussão e de suas capacidades, habilidades, o que torna cada comunidade única. 
 
 
Quais são as diferenças de aprender com o método tradicional de ensino e em uma comunidade de aprendizagem?

André Luiz - As comunidades de aprendizagem rompem com o modelo tradicional, linear, verticalmente hierarquizado, em que um ensina e os demais aprendem, transpondo os limites de um conteúdo parametrizado em uma única visão, passando a adotar uma postura mais próxima das relações estabelecidas naturalmente, com organização horizontal, em que todos podem ser aprendizes e também ensinar com igual oportunidade. 

Gosto de fazer um paralelo entre as comunidades de aprendizagem e os grupos de monitoria que se formam nas universidades, que por vezes são mais efetivos do que as próprias aulas. Um dos fatores que colaboram para isso é presença da horizontalidade na relação estabelecida ali, em que um colega aprende com o outro, utilizando linguagem simples, própria do grupo, num ritmo personalizado à necessidade do colega. 

Um exemplo de aprendizado em comunidade é o GEG (Grupo de Educadores Google), uma comunidade de educadores apaixonados pelo que fazem, que por meio de trocas de experiências, preparam novos educadores para o uso da tecnologia nas escolas, salas de aula e comunidades de todo o mundo, fugindo da ótica tradicional do treinamento, comum no universo corporativo.  


Para você, o que o aprendizado em comunidade pode acrescentar ao universo empreendedor?

André Luiz – Em um ecossistema de altíssimos níveis de mortalidade empresarial, a troca de expertises entre os empreendedores em comunidades desse tipo, pode entre outros fatores, colaborar na prevenção de erros comuns aos empreendedores iniciantes, cheio de ideias e com pouca experiência. Além de trazer inovação e novas oportunidades de negócios e parcerias àqueles que já estão no mercado há algum tempo, tão atolados com o próprio negócio, que esqueceram de olhar para o mercado. 

De forma geral, as Comunidades de aprendizagem podem promover um ecossistema empreendedor mais sustentável por meio da colaboração, novamente rompendo com a premissa tradicional de mercado, baseado em isolamento, alternando para um modelo de valorização das conexões em rede, mais próximo da realidade empresarial dinâmica do mercado atual.
 
 
Sobre a Ei! – A Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores, da Fundação Assis Chateaubriand, é um ambiente de conexão, conhecimento e experiências inovadoras, que surgiu em agosto de 2017 para transformar empreendedores de dentro para fora. Nesta comunidade, acredita-se na força das conexões, no aprender fazendo, na criação coletiva, entre outros. Desde o ano passado, são realizados diversos eventos que reúnem pessoas que pensam diferente e acreditam no potencial inovador da cidade. A Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores está no Facebook e Instagram, com o perfil @ComunidadeEi.