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Correio Braziliense NEGÓCIOS DE IMPACTO

Negócios sociais impactam de forma positiva a realidade à sua volta

Iniciativas como a Revista Traços, no Distrito Federal, devem servir de inspiração para o surgimento de negócios semelhantes


postado em 09/05/2019 08:48 / atualizado em 26/06/2019 15:28

Texto: Ana Clara Alves
 
"Empresas sociais não têm divisão de lucros, ou seja, é uma entidade voltada para impacto social." (foto: Pixabay)
 
Não é de hoje que sabemos que alguns negócios podem impactar negativamente o meio social onde estão inseridos. No entanto, é cada vez maior o número de empresas e de projetos atentos a esse fato, e cientes da necessidade de reverter a realidade à sua volta. São os chamados negócios de impacto social.

O que é esse tipo de negócio? Há inúmeras definições. Segundo a Yunus, rede que estimula negócios sociais e une empresa e filantropia, empresas sociais não têm divisão de lucros, ou seja, é uma entidade voltada para impacto social. Nestas os lucros são reinvestidos na própria empresa, para que ela aumente o impacto positivo gerado pela sua atividade. Já para a Artemisia, organização sem fins lucrativos que visa o fomento de iniciativas de impacto social no Brasil, negócios sociais têm como alvo a população de baixa renda. 

Marcela Moraes, pós-graduada em Gestão de Inovação Social pelo Instituto Armani, já teve sua própria startup de impacto social e explica que o objetivo principal destas é interferir positivamente no âmbito socioambiental, por meio de atividade que varia de acordo com o perfil de quem a conduz. “A configuração de impacto social que a empresa vai entrar depende do que a pessoa está propondo e com o que ela se identifica. O lucro vem como consequência”, completa. 

Diferentemente das ONGs, que recebem incentivos e doações, os negócios de impactos sociais são empresas e as atividades dessa empresa geram mudança positiva. Elas não dependem de editais ou recursos, mas dão valor ao meio socioambiental e recebem o retorno desse valor de um jeito que consigam sustentar a modificação. 

Existem bons exemplos para essa linha de negócio. O mais popular em Brasília é a Revista Traços, que se propõe a fazer uma mudança positiva na sociedade e é sustentável economicamente. A revista visa à reinserção social e, para isso, envolve na sua comercialização pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social, chamados de “porta-vozes da cultura”, gerando um ciclo de renda para quem não tinha perspectivas nas ruas. 

Iniciativas como essa merecem atenção e precisam inspirar outras semelhantes. Elas têm a capacidade de proporcionar uma mudança de paradigma do nosso próprio entendimento como gente, das nossas necessidades e da nossa capacidade de enxergar as diferenças humanas. “É a importância de ganhar escala na reparação dos danos que a gente causou. Além do papel das ONGs, agências e governo, é importante que o setor corporativo esteja envolvido para gerar impactos positivos. Assim, ganhamos uma escala maior na mudança positiva”, finaliza Marcela. 

Mais informações:
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