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Correio Braziliense INOVAÇÃO

Laboratórios de Inovação no Governo: como o sistema público pode acompanhar as mudanças no mundo

Especialistas explicam quais são os objetivos e dificuldades de inovar nesse setor


postado em 11/06/2019 09:42 / atualizado em 15/07/2019 10:35

Abrir as portas e as mentes para as possibilidades de novas trocas, de novas experiências, de novos experimentos, passa a ser um caminho quase que inescapável para a construção de novas soluções%u201D, afirma Guilherme Almeida (foto: Pixabay)
Abrir as portas e as mentes para as possibilidades de novas trocas, de novas experiências, de novos experimentos, passa a ser um caminho quase que inescapável para a construção de novas soluções%u201D, afirma Guilherme Almeida (foto: Pixabay)

 

Texto: Ana Clara Alves

 

Inovar na esfera pública é tentar tornar o serviço público mais eficiente. E para fazer isso é preciso melhorar processos, trazer novas abordagens e soluções para os problemas. Especialistas em inovação defendem que, para começar a inovar, é preciso mudar o mindset das pessoas para que ele se torne mais progressivo e aberto a mudanças. 

 

Em funcionamento desde 2016, o Laboratório de Inovação em Governo foi criado para mudar a cultura organizacional no poder público, incentivando a inovação nos ambientes geridos pelo Estado. Assim, eles facilitam o processo de implementação da inovação nas rotinas de trabalhos nas áreas envolvidas, promovendo e propondo capacitações. 

 

Lorena Mascarenhas, líder da Assessoria de Sustentabilidade e Inovação da Procuradoria Geral da República (PGR), e Guilherme Almeida, à frente do Laboratório de Inovação em Governo, da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), explicam o que é preciso para que a mudança seja efetiva.

 

“Antes que a mudança seja feita, é necessário procurar novas tendências, métodos, caminhos, tecnologias e possibilidades para o setor público”, inicia Guilherme. Tendo isso em mãos, segundo ele, é importante experimentar para buscar aprendizado. 

 

Por fim, com os testes e conhecimento, o servidor público deve passar para os outros o que aprendeu e o que pode ser feito, gerando um impacto potencial e benefício das práticas e métodos. 

 

A maior dificuldade encontrada no processo é convencer as pessoas da necessidade de mudança e da pertinência das novas abordagens. “A maioria dos servidores públicos é bastante conservadora. Fazer com que os indivíduos que têm medo de fazer coisas de forma diferente assumam a possibilidade de transformarem as suas práticas, correndo risco, em busca de melhores resultados para os cidadãos, não é tarefa fácil”, disse Guilherme Almeida.

 

O Laboratório de Inovação em Governo tem o objetivo de impulsionar o serviço público para que não fique estagnado e acompanhe as mudanças do mundo. “No contexto onde vivemos, com cada vez menos recursos, abrir as portas e as mentes para as possibilidades de novas trocas, de novas experiências, de novos experimentos, passa a ser um caminho quase que inescapável para a construção de novas soluções”, completa. 

 

Como esses laboratórios funcionam nos órgãos?

 

Geralmente, eles funcionam por meio de projetos específicos de experimentos em parceria com órgãos governamentais. 

 

O primeiro passo para ser instalado é o patrocínio. “É inviável ter um espaço para essas inovações se quem comanda não tem a consciência da importância e das possibilidades que podem trazer para o órgão”, explica Guilherme Almeida.  

 

Depois, cabe aos gestores do poder público selecionar pessoas empenhadas em promover o que é necessário para o desenvolvimento das atividades. E, por último, a gestão pública tem o desafio de identificar os problemas nas políticas públicas e sugerir propostas de reconstrução. 

 

Há lugares, como o Ministério Público, que não possuem o laboratório físico, mas uma assessoria que auxilia nesses processos. “A lógica é a mesma de um laboratório. É preciso formalização perante à instituição, o patrocínio dos gestores, alocação de recursos e formação de uma equipe multidisciplinar com skills complementares”, explica Lorena Mascarenhas. 

 

“O meu papel, dentro da assessoria, é engajar e disseminar a inovações em todas as unidades do Ministério Público Federal (MPF). Precisamos inovar diariamente, pois é preciso adaptação de cenários, novas abordagens para mudança de cultura organizacional e criatividade de solução de problemas”, conclui. 

 

Sobre a Ei! – A Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores, da Fundação Assis Chateaubriand, é um ambiente de conexão, conhecimento e experiências inovadoras, que surgiu em agosto de 2017 para transformar empreendedores de dentro para fora. Nesta comunidade, acredita-se na força das conexões, no aprender fazendo, na criação coletiva, entre outros. Desde o ano passado, são realizados diversos eventos que reúnem pessoas que pensam diferente e acreditam no potencial inovador da cidade. A Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores está no Facebook e Instagram, com o perfil @ComunidadeEi.