Publicidade

Correio Braziliense INOVAÇÃO

Artigo: Como o design thinking pode me ajudar a criar soluções de alto impacto?

Facilitadora de processos de inovação, Laura Snitovsky explica o que está por trás dessa abordagem mental que transforma desafios da vida, do trabalho e das empresas em oportunidades


postado em 19/09/2019 12:06 / atualizado em 19/09/2019 12:06

Segundo Laura, o Design Thinking começa com uma profunda empatia e um entendimento das necessidades e motivações das pessoas(foto: Shutterstock)
Segundo Laura, o Design Thinking começa com uma profunda empatia e um entendimento das necessidades e motivações das pessoas (foto: Shutterstock)

 

Por Laura Snitovsky*

 

Esse é um artigo que pode mexer com sua cabeça. Te convido a deixar de lado palavras como processo, método, procedimento. Não que isso esteja errado, mas, você vai descobrir que Design Thinking não é uma expressão precisa e definitiva, é uma abordagem mental que privilegia o fazer sobre o pensar, o famoso “learning by doing” ou aprender fazendo.

 

Nesse mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), temos percebido que a forma como agimos, pensamos, interagimos e construímos soluções são cada vez mais incompatíveis com a velocidade com que as coisas têm acontecido e, de forma evidente, tem mudado exponencialmente. E nesse momento da humanidade, nós seres humanos, precisamos refletir e questionar como vamos caminhar daqui em diante. Que mundo queremos construir? Como contribuir para um futuro desejável e sustentável?

 

Perante todas essas questões vem o alívio de que somos seres inteligentes, resilientes e com um grande poder de transformar a realidade que vivemos. Somos designers. Pode parecer estranho para você em um primeiro momento, mas sim, somos seres criativos capazes de mudar o mundo com o Pensamento do Design, ou melhor, com o Design Thinking.

 

Essa abordagem mental, que teve início no século 20, é totalmente centrada no ser humano e promove a empatia, a colaboração e a experimentação. Faz com que você acredite em sua própria criatividade, no trabalho conjunto, no pensamento sistêmico e na possibilidade de transformar desafios em oportunidades diversas.

 

E isso acontece porque o design thinking te oferece ferramentas para, diante de um desafio, promover uma imersão no problema considerando as múltiplas perspectivas, quais as ações devem ser realizadas e qual o resultado se quer atingir, projetando possíveis soluções centradas no ser humano. O Design Thinking começa com uma profunda empatia e um entendimento das necessidades e motivações das pessoas. É 100% colaborativo. Afinal, muitas mentes e repertórios são sempre mais fortes que uma só ao resolver um desafio.

 

Desafios da vida, do trabalho, das empresas. O Design Thinking é aplicável a todas as situações, por mais inusitadas ou cotidianas que sejam. No mundo corporativo, privado ou público, ele tem sido usado por diversas equipes para desvendar e resolver problemas complexos, alcançar maior eficiência com o objetivo de entender e atender, cada vez melhor, as necessidades das pessoas.

 

Na história do mundo, empresários, gestores das mais diversas áreas, líderes, funcionários públicos sempre se depararam com desafios que impactam a produtividade das organizações. São mudanças de tecnologia, mudanças no comportamento da sociedade, novas regras de negócio, gestão de mudança...e tudo isso, no mundo atual, apimentado por um ritmo extremamente acelerado, como nunca visto antes.

 

Líderes de todos os perfis têm quebrado a cabeça em busca de soluções imediatas para alavancar seus resultados. E esse comportamento tem provocado um investimento em novas técnicas e abordagens que se fortalecem junto às organizações e equipes. O Design Thinking, nesse contexto, tem sido usado para estimular e desenvolver o pensamento crítico, criativo, a visão sistêmica e a cooperação, ou como é falado popularmente, “tirar as equipes da caixinha”.

 

Aprendi que o Design Thinking não é a “bala de prata” da inovação. Mas, tem o poder de ampliar a visão do problema, fazer com que as equipes e organizações estejam mais preparadas para as mudanças e possam entender melhor as pessoas e suas necessidades e, por consequência, rever e recriar suas estruturas organizacionais para atender as demandas do mercado e da sociedade.

 

E você pode estar se perguntando, o que é necessário para aplicar o design thinking? A minha intenção não é apresentar um passo-a-passo sobre o assunto. Até mesmo porque o design thinking pode e deve ser usado como um circuito de infinitas possibilidades. Mas, por outro lado, vale te deixar curioso e com vontade de experimentar essa abordagem mental trazendo alguns ingredientes essenciais para envolver você e sua equipe nessa jornada de inovação tendo o ser humano no centro do estudo. Então lá vai:

 

  • Empatize – Fundamental para entender o desafio é fazer uma imersão na vida das pessoas para quem você está criando soluções e gerando insights.
  • Defina – Analise e interprete as descobertas e coloque o foco em um ponto do desafio. Escolha desafios que não sejam tão grandes como promover a paz mundial (meio difícil de resolver, né) e não tão pequenos como mudar a cor de uma parede (esse é fácil demais). Isso pode ser desestimulante para a equipe.
  • Idealize – Imagine e cocrie soluções. Reúna equipes com pessoas diversas, com experiências técnicas e de vida diferentes. Lembre-se quanto mais diversidade em formações, experiências e visões, melhor poderá ser seu resultado. Estimule a criação de insights disruptivos e soluções diversas.
  • Prototipe – Promova a criatividade e construa as melhores soluções. Essa fase não serve apenas para validar ideias. Quando desenvolvemos com as mãos e materializamos uma ideia, construímos para pensar, para aprender e para corrigir rotas rapidamente. Use seu protótipo para comunicar, vender sua ideia e testar a viabilidade. Prototipar também ajuda na mudança de padrão mental para entender que errar faz parte do processo de aprendizagem.
  • Teste – Momento de rever, revisar e entregar os resultados. Utilize a sessão de teste para aprender com as pessoas, com seus usuários. Erre cedo para aprender cedo.

 

E deixo aqui algumas regrinhas de ouro para tudo isso funcionar:

 

  • Design Thinking é sobre pessoas. Mantenha o ser humano vivo em todos os momentos. É muito importante entender para quem realmente estamos criando.
  • Pense e trabalhe visualmente. Post-its, frameworks, peças de montar, desenhos ajudam o time a compartilhar ideias e visões.
  • Construa sobre as ideias dos outros. Tranque o ego na gaveta, amplie a escuta, interaja e promova conexões. Seja construtivo, colaborativo e positivo. O mundo já tem críticos e juízes demais.
  • Use e abuse das ferramentas. O Design Thinking é uma abordagem mental consciente. Faça uma imersão e entenda quais ferramentas podem e devem ser aplicadas em cada fase e quais os objetivos a serem atingidos.
  • Peça ajuda a um facilitador. Facilitar é cuidar das pessoas e fazer com que os caminhos estejam abertos para a construção coletiva com resultado. Os facilitadores são profissionais preparados para conectar as pessoas, aumentar a sua consciência de equipe e remover as barreiras que possam impedi-las de entregar os resultados esperados.
  • Acredite no processo. Design Thinking é uma jornada que estimula a criatividade e o trabalho em equipe. Ele oferece diversas ferramentas, facilitações e recursos que impulsionam o aprender fazendo, assim como quando éramos crianças.
  • O Design Thinking é para você, para sua organização e para sua vida. É uma abordagem mental poderosa e sem volta. Continue em frente, experimente, se jogue de cabeça, se liberte dos preconceitos e, o principal, conecte-se e divirta-se criando soluções para esse nosso mundo VUCA.

 

Sobre a autora do artigo

 

(foto: Arquivo pessoal/Laura Snitovsky)
(foto: Arquivo pessoal/Laura Snitovsky)
Laura Snitovsky tem mais de 25 anos de experiência nas áreas de Marketing, Comunicação e Desenvolvimento de Projetos para Negócios. Formada em Design Thinking pela Echos, atua como facilitadora de processos de inovação em parceria com a Innova Thinking, consultoria de São Paulo. Após seu período no setor privado, migrou - há um pouco mais de um ano - para a gestão pública, com o objetivo de ampliar sua visão de gestão e negócios. Atualmente ocupa o cargo de chefe da secretaria de planejamento do Conselho Federal de Medicina Veterinária em Brasília. Desde 2019, atua como mentora na Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores, iniciativa da Fundação Assis Chateaubriand.

 

Sobre a Ei!

A Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores é um ambiente de conexão, conhecimento e experiências inovadoras, criado em 2017 pela Fundação Assis Chateaubriand para transformar empreendedores de dentro para fora. Nesta comunidade, acredita-se na força das conexões, no aprender fazendo, na criação coletiva, entre outros. Também são realizados diversos cursos, workshops e eventos que reúnem pessoas que pensam diferente e acreditam no potencial inovador da cidade. A Ei! Comunidade de Aprendizagem para Empreendedores está no Facebook e Instagram, com o perfil @ComunidadeEi

 

No seu WhatsApp

Receba nossos conteúdos de empreendedorismo e inovação no WhatsApp. Salve o número (61) 3214-1059 na sua agenda, mande um Ei pra gente e aproveite os nossos artigos, matérias, vídeos e agenda completa!