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Correio Braziliense INOVAÇÃO

Artigo: A nova forma de consumo começa pela voz

Especialista em transformação digital, Rapha Avellar revela o potencial do comando de voz como tendência para o mercado brasileiro


postado em 10/02/2020 19:52

Um ambiente navegável por meio de toques e interfaces é um espaço que vai existir dentro das assistentes de voz. Será como se estivéssemos diante da mesma experiência, mas dessa vez a nossa voz servirá como o toque na tela, acredita Rapha Avellar
Um ambiente navegável por meio de toques e interfaces é um espaço que vai existir dentro das assistentes de voz. Será como se estivéssemos diante da mesma experiência, mas dessa vez a nossa voz servirá como o toque na tela, acredita Rapha Avellar
 
Por Rapha Avellar*

Você consegue enxergar um comando de voz como se fosse um aplicativo de celular? Pode parecer absurdo comparar um ícone de uma tela a uma frase dita em voz viva, mas se pararmos para pensar é exatamente isso que significa o universo do comando de voz no mercado de tecnologia atual, seja lá fora ou mesmo aqui perto de nós. 

É que, ao olharmos para os últimos dez anos e considerarmos aquilo que o smartphone gerou de impacto no universo mobile – praticamente redefinindo-o –, provavelmente estaremos diante de um bom modelo para estimarmos o que o uso da voz nos reserva para a próxima década.

Um ecossistema de aplicativos centrais na vida das pessoas que usam o celular, ou seja, um ambiente navegável por meio de toques e interfaces é um espaço que vai existir dentro das assistentes de voz. Será como se estivéssemos diante da mesma experiência, mas dessa vez a nossa voz servirá como o toque na tela. 

Imaginemos um exemplo: a assistente de voz da Amazon, conhecida como Alexa, poderá nos ajudar a refazer todas as compras da semana passada, tal como se pudéssemos recuperar uma lista de itens comprados anteriormente em um aplicativo de compras online. "Alexa, refaça as compras de mercado da semana passada, mas inclua uma dúzia de ovos dessa vez", eu diria, para gerar em seguida uma resposta condizente com o que quero. "Ok, Raphael, estou refazendo as suas compras. Deseja mais alguma coisa?", ela retrucaria. E todos nós agradeceríamos em seguida.

Pode não parecer à primeira análise, mas o modelo de diálogo exemplificado acima repete o mesmo princípio usado pelos aplicativos nos mobiles. Em ambos os casos, as ações que se desencadeiam são úteis para o usuário final. Isso porque este serviço pode vir na forma de informação, educação, entretenimento ou mesmo representar a conveniência de uma simples transferência bancária. Por outro lado, a velocidade com que esses comandos de voz serão adotados vai depender de outros marcos significativos.

O primeiro deles já se deu com a entrada efetiva, em meados de 2019, das principais plataformas de voz de forma nativa no Brasil. Todos os sistemas que hoje são operados por Apple (Siri), Amazon (Alexa) ou Samsung (Bixby) possuem um ponto em comum: valem-se de ferramentas para fazer com que os celulares operem de forma equilibrada em relação aos programas de voz. Ou seja, um dos principais meios de transferência de informação – o smartphone – seguirá servindo na era do comando de voz. O que mudará será somente o input informacional: em lugar de sete toques na tela para se pedir um Uber, teremos uma instrução falada como "peça um carro para me levar de volta à minha casa".

A partir deste cenário, o modelo de serviço de voz como conhecemos, que conta com um hardware próprio, poderia deixa de ser essencial. Todos os comandos de voz que dirigíssemos ao aparelho seriam interpretados corretamente ao serem captados por um celular. Estaria derrubada desta forma a principal barreira que impede, atualmente, a proliferação do uso da voz como forma principal de transmissão de comandos e instruções em dispositivos tecnológicos.

O alerta para nós aqui no Brasil fica por conta do fato de que, assim como o nosso país já está se inserindo dentro deste panorama de mudança, ele também terá pouco tempo para se adaptar e chegar ao mesmo patamar de países como os Estados Unidos. Por lá, já existem cerca de 300 mil aplicações disponíveis neste recém-criado mercado de voz. Aqui o número é mil vezes menor, ou seja, em torno de 300. Os brasileiros já querem usar a voz, só não têm a infraestrutura necessária.

Para nós – e em especial para o mercado publicitário –, o que ainda falta são as skills (habilidades) para que, no momento em que um usuário iniciar qualquer pesquisa, as principais marcas de cada segmento sejam recomendadas. Por ora, as marcas ainda não estão presentes onde o consumidor está e aí reside um potencial tremendo. De qualquer forma, minha visão é otimista: acredito que o nosso país e os EUA podem se equiparar na disponibilidade de opções nesse novo segmento, no qual a voz se transformará no meio para uma nova forma de consumo.

Sobre o autor
 
* Carioca de 29 anos, Rapha Avellar é um dos maiores especialistas do Brasil quando se fala em marketing e transformação digitais nos meios de comunicação. Empreendedor em série, conseguiu tirar a empresa da família prestes a falência durante a maior crise econômica do país. Atualmente a empresa vem crescendo exponencialmente e o Rapha abriu mais dois negócios, incluindo a agência full-service Avellar Media, valendo-se principalmente de técnicas e segredos do universo digital.
 

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