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Correio Braziliense

Dhi Ribeiro conta como venceu as dificuldades em um meio predominantemente machista

No mercado de trabalho, Dhi destaca que a diferenciação de trabalho, o assédio sexual e psicológico e o corporativismo empresarial são obstáculos frequentes na vida da mulher


postado em 02/04/2018 19:22

"É necessário que as que já chegaram lá inspirem as outras que passam por dificuldades a prosseguirem", diz Dhi (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

 

A cantora Dhi Ribeiro tem a exata noção da importância do empreendedorismo feminino e dos desafios que a mulher enfrenta para se colocar no mercado de trabalho. Aos 52 anos, é exemplo de sucesso. Dhi começou a carreira há 30 anos, em Salvador, como modelo na mesma agência que a também cantora Ivete Sangalo. Fazia participações em shows de amigos e atuava como vocalista de bandas de axé music e pagode. Em 1993, ela se radicou em Brasília. É ela quem gerencia a própria banda, criada em 2005.

 

Dhi conta que existem características específicas do gênero feminino que diferenciam a mulher no mercado de trabalho e fazem com que ela seja um trunfo na equipe. “O nosso jeito de olhar as coisas é diferenciado. A nossa percepção é maior. Também fazemos várias coisas ao mesmo tempo. Eu sou produtora, mãe, mulher, administradora. Somos multifacetadas, capazes de nos reinventarmos sempre”, diz.

 

Segundo Dhi, entre as principais dificuldades encontradas ao longo da jornada está a instabilidade no meio artístico  “O meio musical é instável. Ser mulher, negra e cantora de samba é mais difícil ainda. Não posso me queixar, mas acho que o sambista deveria ser mais valorizado, porque o samba ainda é visto com um estereótipo de farrista e boêmio”, analisa.

 

Para a cantora, desde antes do surgimento do termo “empreendedorismo”, a mulher trabalhava com a capacidade de gerenciamento. “Mas é necessário que as que já chegaram lá inspirem as outras que passam por dificuldades a prosseguirem, a estudarem e a se destacarem. É só usar a arma certa, a educação, a inteligência emocional. Humildade também é importante. Mas, claro, não deve ser confundida com submissão”, pondera.

 

No mercado de trabalho, Dhi destaca que a diferenciação de trabalho, o assédio sexual e psicológico e o corporativismo empresarial são obstáculos frequentes na vida da mulher. “Os homens ainda ganham mais e dão preferência para colocar homem nos cargos, em detrimento da mulher. Eu carrego a bandeira da mulher negra. Todo dia a gente tem que provar algo para alguém. Creio que vai levar um tempo para isso acabar, mas chegaremos lá. As pessoas precisam ter a consciência de igualdade, se colocar no lugar do outro”, aponta.

 

Em setembro do ano passado, Dhi participou do programa The Voice e reencontrou Ivete Sangalo, uma das técnicas do programa. Para os que estão na expectativa de um repertório recém-saído do forno, vem aí o lançamento de mais um DVD, previsto para maio. O material será disponibilizado inicialmente nas plataformas digitais. “O primeiro trabalho falava sobre os sentimentos da mulher. Neste exaltaremos a cultura negra, a diáspora negra. É sobre a mulher empoderada, sobre a mulher que queremos para os próximos anos”, celebra.

 

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